A galerista Raquel Arnaud está para as artes visuais como o treinador Telê Santana para o futebol. Se ele formou o grande time da Copa de 1982 (Sócrates, Zico, Falcão), Raquel abriga no Gabinete de Arte, sua galeria, em São Paulo, os maiores nomes do construtivismo brasileiro e estrangeiro, movimento que, inspirado no original russo, surgido na época da Revolução, preconiza uma arte autônoma da natureza, abstrata e baseada em formas geométricas. Só para citar alguns desses artistas, fazem parte do seleto time os falecidos Jesús Soto e Sergio Camargo. Entre os vivos, Arthur Liza Piza, Cruz-Diez e Waltercio Caldas destacam-se como artistas representados pela galerista, homenageada pela editora Cosac Naify com um livro que conta sua trajetória de 35 anos no mercado, Raquel Arnaud e o Olhar Contemporâneo. A obra será lançada quinta-feira, na futura sede do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), o mais ambicioso projeto da marchande.
Para contar a história da ascensão de Raquel Arnaud, a editora convidou um dos grandes críticos em atividade no Brasil, Rodrigo Naves, que acompanha essa história desde o começo, ou seja, desde que a galerista trabalhava na casa de leilões Collectio, no começo dos anos 1970. Antes disso, a marchande fez seu ''vestibular'' nas artes trabalhando ao lado do criador do Museu da Arte de São Paulo (Masp), Pietro Maria Bardi. Foi lá que Raquel conheceu o cineasta Hector Babenco, diretor de Carandiru, com quem viveu 14 anos e teve duas filhas, após ser casada com o filho do pintor Lasar Segall, Oscar, pai de seus três filhos mais velhos.
Naves, o autor, observa que Raquel foi a ''primeira galerista brasileira a trabalhar com rigor e senso profissional'' para mudar o rumo do mercado.

Serviço:
- ''Raquel Arnaud e o Olhar Contemporâneo'' - De Rodrigo Naves e José Bento Ferreira. Cosac Naify. 192 páginas. R$ 44.

mockup