Livro, esse objeto escultural
Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
A mostra Livros, de Waltercio Caldas reúne 15 dos 20 trabalhos realizados em 30 anos de carreira. Depois de expor no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, a coletânea chega a Curitiba trazida pela Casa da Imagem. Essa é a primeira vez que o artista mostra seus trabalhos no Paraná.
Os livros são parte integrante de um processo só, através de comportamentos plásticos diferentes de obras escultóricas e desenhos. Trato o objeto livro como um objeto escultural. Os livros não são representações ou registros de coisas que aconteceram, mas o que acontece é o próprio livro, afirma.
Waltercio argumenta que um livro de texto ou mesmo só de imagens não tem nada a ver com o objeto, só representa-o. A série Livros fala da natureza do livro como objeto ativo, não passivo. A imagem é o próprio livro. O livro não é a coisa que se passa. É uma entidade específica. Não representacional, é um objeto em si. Tem características circulares, com sequência de planos, transparência.
Por que livro? O livro é o elemento fundamental na cultura do mundo. É produto de significados. Não sofreu muita alteração, mantém a excelência. O primeiro livro data de 1300 e tinha capa de madeira, depois eram encadernados com tripa. A seguir vieram os livros em cera sobre placa de madeira, os em pergaminho, circulares ou em tubos enrolados. Mas desde 1440, o livro permanece quase inalterado.
Através dos livros tomamos contato com a cultura, especificamente com a arte. O livro acompanha nossa formação. Na minha obra, apresentou-se quase como uma opção natural de trabalho. O livro normal já é uma escultura pela sua tridimensionalidade. É, muitas vezes, bem maior por dentro do que por fora.
Os livros de Caldas ficarão expostos protegidos por caixas transparentes, mas são folheáveis. A continuidade das páginas tem um sentido em uns, e não tem qualquer sentido em outros. Às vezes é só uma página.
Em Vôo Noturno (1967), Caldas revela uma aproximação ao conceito de poética visual. Talco (1978) é mais propriamente uma intervenção de Waltercio, que ao recobrar a reprodução de uma obra de Matisse com o pigmento perfumado, recria uma atmosfera luxuriante.
Por sua vez, no livro Velázquez, de 1997, destaca apenas a estrutura espacial da tela As Meninas. Em outros dois livros recupera o que há de desenho e de friamente ondulante na pintura neoclássica de Ingres e de imaterial e ascensional na escultura de Giacometti. O livro Carbono de 1981, pede antes de tudo a participação tátil do espectador.
Obras de Matisse, Ingres, Giacometti, Velázquez e esculturas de Rodin, entre outros, são tratadas nos livros de Waltercio Caldas sob o ponto de vista da História da Arte. São comentários. Vejo a intenção dos artistas, hoje em dia. Uso a História da Arte como matéria-prima.
Os livros foram surgindo de modo esparso, no curso dos anos, sem, portanto, caracterizarem uma especialidade gráfica do artista.
Livros, de Waltercio Caldas. Galeria Casa da Imagem (Rua Dr. Faivre, 591). Abertura hoje, às 20 horas. A mostra permanece até o dia 23 de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 10 às 19 horas, e sábados das 11 às 14 horas. Informações (41) 362-4455.Com uma proposta interessante, o artista plástico Waltercio Caldas inaugura hoje, em Curitiba, a mostra Livros
DivulgaçãoO livro para Ingres, de 1998DivulgaçãoO livro Velázquez, de 1996DivulgaçãoA Suíte, de 1998DivulgaçãoVôo Noturno, de 1967DivulgaçãoGiacometti, de 1997





