A crescente preocupação com a insegurança e a criminalidade no País, principalmente nos grandes centros, tem gerado estudos sobre a violência, segurança pública e direitos humanos. O tema se tornou de interesse generalizado. Afinal, a violência se alastra por todos os interstícios sociais e todos passam a ser vítimas em potencial de algum tipo de ato violento.
No Rio de Janeiro, epicentro e vórtice da violência no Brasil, a professora e socióloga Francisca Vergínio Soares realizou em sua tese de doutorado um estudo sobre o início do processo da instalação das facções organizadas da criminalidade. Esse fato social se deu nos governos de Leonel Brizola (1983-1987) e Moreira Franco (1987-1991).
Como resultado da tese, a socióloga publicou o livro ''A Política de Segurança Pública dos Governos Brizola e Moreira Franco à Margem da Nova Violência'' (Papel Virtual Editora, R$ 31,00), que será lançado hoje em Londrina, na Uninorte (Av. Salgado Filho, 1200), às 21 horas. Doutora em Ciências Sociais pela PUC/SP, Francisca Soares é professora titular em Sociologia na Universidade Cândido Mendes (RJ) e leciona na Universidade Estadual de Londrina e na Uninorte.
A autora presenciou a violação dos direitos humanos contra crianças e adolescentes quando participava do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), fator determinante para a escolha do tema do livro. Segundo a socióloga, a expressão ''nova violência'' designa a criminalidade organizada, iniciada a partir da década de 80, que engloba a atuação dos agentes do esquadrão da morte, tráfico de armas com os grupos de extermínio, tráfico de drogas e desmanche de carros. Nessa época, o número de homicídios triplicou e os grupos de extermínio prosperaram.
Em sua análise, Francisca relata que o governo Brizola era paternal e atacava resquícios da ditadura militar. Com Franco, imperavam o autoritarismo e a violência institucional, o que o fez conquistar o título de governador sanguinário. Enquanto o discurso propunha reverter a situação de violência, a prática era inversa. Em entrevista à Folha2, Francisca Soares afirma que a ''nova violência'' nasceu no Rio de Janeiro e está intimamente ligada ao crime organizado.
De que forma era a violência no Rio de Janeiro antes dessa onda da nova violência, ao qual você trata em seu livro?
Antes da década de 80, a violência era protagonizada pelos trombadinhas, arrombadores de carros e assaltantes. Com o mercado da droga e a organização do crime, novos elementos vieram a se somar e a violência se tornou mais dinâmica. O governo Brizola, por exemplo, na época da transição democrática, não levou em conta o nascimento do tráfico. Era um governo de cunho social, sem contemplar a existência do tráfico de drogas.
Quais os pontos em comum entre esse período analisado no livro e a onda de violência de Londrina hoje?
Londrina é o retrato fiel de como a violência está se disseminando. É possível identificar como o crime organizado se instala nas comunidades carentes, criando laços de afetividade e mercado de trabalho. A violência entre eles próprios na disputa pelo território e pelas ''boca de fumo'', disputando os melhores locais e eliminando os concorrentes.
De que forma é possível combater isso?
Com uma polícia organizada, mais ágil e mais firme na atitude. Com um efetivo preparado atuando nos locais mais vulneráveis. A comunidade fica à mercê dos traficantes e quem está na linha de frente morrendo são jovens de até 18 anos e não os traficantes.

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