Livro de Rushdie chega ao Brasil na semana que vem
11 de agosto de 1993. Um indiano de 46 anos, com a pálpebra esquerda mais caída do que a direita, assiste ao show do U2 no estádio de Wembley, em Londres. Em um intervalo entre músicas, Bono Vox, o vocalista do grupo, olha para a multidão e saúda esse homem. Ele se chama Salman Rushdie, e protagonizava sua primeira aparição pública desde fevereiro de 1989. Nesse mês, o líder espiritual do Irã, aiatolá Khomeini, editava uma sentença de morte (fatwa) contra Rushdie por considerar seu romance Os Versos Satânicos ofensivo ao Islã. Khomeini morreu, a fatwa deixou de valer para o governo iraniano, mas o escritor continua escondido, esquivo a grupos radicais que ainda pagam até US$ 3 milhões pela sua cabeça. Mas, do mesmo modo como naquela noite de agosto de 93, o escritor está de volta aos grandes públicos. E novamente ele está ao som do rock-n-roll.
Rushdie lançou no mês passado nos EUA e Europa o romance O Chão que Ela Pisa, que a Companhia das Letras traz às livrarias brasileiras na próxima semana.
Nas 575 páginas deste livro, Rushdie descreve a triangulação entre um fotógrafo e um casal de roqueiros indianos populares. Enrolado na trama como uma serpente, está o mito de Orfeu, aquele que mergulha no inferno para resgatar sua musa Eurídice, que morre ao ser picada por uma cobra. Em tempo: o U2 grava em seu próximo álbum a canção O Chão que Ela Pisa, com letra escrita por um homem de pálpebra caída que esteve no estádio de Wembley em 11 de agosto de 1993.France PresseSalman Rushdie: novo livro será lançado no Brasil pela Companhia das LetrasCassiano Elek Machado
Agência Folha





