Livro de Jorge Caldeira analisa a história econômica do Brasil; lançamento é amanhã
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Ricardo de Souza 
São Paulo, 28 (AE) - Desde que a economia brasileira afirmou-se como capitalista, a sombra do subdesenvolvimento paira sobre o País. A explicação mais difundida e usada exaustivamente como uma espécie de desculpa sociológica é o fato de que isso foi causado por fatores externos, como a colonização portuguesa e a ganância inglesa. Em suma, o Brasil teria sido uma vítima dos poderosos europeus. Para tentar corrigir essa idéia, o jornalista Jorge Caldeira escreveu o livro "A Nação Mercantilista - Ensaio sobre o Brasil" (Editora 34, 419 págs., R$ 32,00), que será lançado amanhã (29), às 19h30, na Fnac (Avenida Pedroso de Morais, 858, tel. (011) 867-0022). Por meio da obra, ele oferece explicações para o, motivos que levaram o País, que era talvez a maior economia das Américas no início do século 19, a transformar-se numa nação com um PIB de cerca de um décimo dos Estados Unidos no fim do mesmo século.
O ponto principal é: por que o País parou de crescer no momento em que se tornou uma nação? O cerne dessa questão, para Caldeira, foi o sistema fiscal. "O lucro de Portugal com o Brasil provinha mais dos impostos do que com serviços, favorecendo devedores e carregando produtores com impostos, o que retardou o crescimento do País", diz o autor. "A razão do atraso foram as instituições que os brasileiros criaram depois da independência, principalmente a Constituição de 1824", explica Caldeira. Ele afirma que a nova constituição criou hierarquias sociais, que retiravam quaisquer responsabilidade sobre quem mandava. "A impunidade reinava na época".
O resultado econômico disso era que a elite brasileira recebia mais do que dava, emperrando as engrenagens que produziam capital. "Essa elite pouco ligava para o atraso geral
desde que houvesse ganho particular", analisa Caldeira. "O desastre só não foi maior porque tal política não matou totalmente os fatores de dinamismo interno, sustentado por pessoas que resolviam problemas por conta própria e com capacidade muito acima de seus dirigentes". "A Nação Mercantilista" mostra que o Brasil colonial não é o brasilzinho que normalmente é retratado na história. "O livro tenta internalizar nossas responsabilidades".


