Em comemoração aos 55 anos da Universidade Estadual de Londrina, a editora Engenho das Letras está lançando “UEL 55 Anos - Um Mosaico de Histórias”, livro organizado pelo jornalista e escritor Fábio Luporini.

A obra traz depoimentos, testemunhos, memórias e crônicas de alunos, professores, administradores, funcionários e pesquisadores que passaram pela UEL em seu meio século de existência.

Os 80 textos que compõem “UEL 55 Anos - Um Mosaico de Histórias” fogem do tripé ensino, pesquisa e extensão para oferecer a face humana da instituição. Os 80 autores revelam a importância afetiva da universidade na vida das pessoas. O lançamento acontece nesta quarta-feira (17), às 20 horas no Cine Teatro Ouro Verde.

A seguir, Fábio Luporini fala sobre o livro e o projeto de escrever uma biografia da universidade.

Leia mais:

Geralmente os livros sobre a Universidade Estadual de Londrina abordam sua importância nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Também sua influência no desenvolvimento social, econômico e tecnológico da região. “UEL 55 Anos - Um Mosaico de Histórias” realiza uma abordagem diferenciada: olha para a importância afetiva da UEL na vida das pessoas. Essa era a ideia do livro?

É inegável que a Universidade Estadual de Londrina faz parte da vida da cidade e da nossa região. E isso significa que ela também faz parte da vida de muitas pessoas que passaram por lá, de diferentes formas. Como ainda não temos um livro específico que registre a trajetória da universidade, isto é, uma biografia da UEL, decidimos registrar as histórias que um dia poderão compor uma História. E, pensando assim, não há dúvidas de que afloraria esse lado afetivo das pessoas, que não olham para a universidade apenas administrativamente, como um local de trabalho, de estudo, de pesquisa ou extensão. As pessoas que têm conexão com a UEL, na realidade, têm uma ligação afetiva muito forte. Era exatamente isso que gostaríamos de imprimir no livro. A ideia foi do professor Clodomiro Banwart, junto com a esposa Michele Banwart, da Editora Engenho das Letras, que me procuraram e me propuseram organizar o livro para a celebração dos 55 anos da universidade.

E como foi escolher os 80 autores?

A ideia do livro surgiu em agosto. No fim daquele mês, fizemos o convite para 150 pessoas escreverem seus textos, suas memórias com a universidade. Entretanto, sabemos que o tempo era curto e muitos autores convidados não tiveram esse tempo para enviar seus relatos, muito embora suas memórias sejam importantíssimas. Além disso, dezenas e centenas de outras pessoas também teriam contribuições para fazer. Afinal, já passaram pela UEL mais de 103 mil estudantes de graduação e pós-graduação em 55 anos. Fora os professores e funcionários. Por isso, queremos pensar também numa segunda edição para poder reunir com mais tempo outra pluralidade de artigos. Os testemunhos presentes no livro relevam como a UEL transformou a vida de todos aqueles que passaram pela instituição. Nos relatos é marcante a atmosfera de gratidão.

Fábio Luporini, organizador do livro: "Os testemunhos presentes no livro relevam como a UEL transformou a vida de todos aqueles que passaram pela instituição"
Fábio Luporini, organizador do livro: "Os testemunhos presentes no livro relevam como a UEL transformou a vida de todos aqueles que passaram pela instituição" | Foto: Divulgação

De onde vem esse forte sentimento de gratidão?

Ao ler cada um dos textos, percebemos que as pessoas atribuem à universidade a construção de uma vida. Quem estudou por lá e se destacou no mercado de trabalho ou na sociedade é grato pelo que aprendeu ou pelas conexões que fez na UEL. E quem trabalhou na universidade entende que construiu família, comprou casa, com o fruto de seu trabalho na UEL. Mas, para além disso, é um orgulho dizer que estudou no campus mais arborizado do Brasil, que circulou pelo Calçadão da UEL com os macaquinhos ou que eventualmente colhia alguma fruta do pé nos intervalos das aulas. E nem me referi ainda às inúmeras pesquisas, às conquistas, às manifestações. Não tem como ter passado pela UEL sem ter tido algo pelo qual agradecer. Daí esse sentimento de gratidão muito forte.

O grande apreço que a população possui pela Universidade Estadual de Londrina, uma instituição pautada pela ciência, se contradiz com o crescimento de movimentos anticiência em cidades conservadoras como Londrina. Como entender essa contradição?

A UEL construiu, ao longo desses 55 anos, um legado que vai além dos bancos da universidade ou dos livros nas bibliotecas. Isso significa que a ciência que ela produz interfere e impacta na vida cotidiana das pessoas, transformando a própria sociedade. Exemplos não faltam: Banco de Leite do HU, o próprio HU e o Hemocentro, até as artes como a Osuel, o Cine Teatro Ouro Verde e o nosso inestimável Museu Histórico. Quando a ciência faz parte da vida cotidiana, não tem como negá-la. Ao contrário, as pessoas e a própria sociedade a valorizam e têm orgulho e senso de pertencimento.

No prefácio do livro você menciona o projeto de escrever uma biografia da Universidade Estadual de Londrina. Como é esse projeto?

Quando Marta Favaro assumiu a reitoria, a primeira coisa que eu lhe disse foi que gostaria de escrever uma biografia da UEL. A universidade tem muitos textos, artigos e trabalhos produzidos sobre sua pesquisa, sobre seu ensino, mas não tem ainda uma obra que possa chamar de sua biografia, reunindo, além das informações e relatos técnicos, as histórias que formam sua História. Por isso, quando me veio esse convite, vi nele a oportunidade de registrar histórias as quais eu não teria a possibilidade não fosse este livro. Entretanto, para realizar esse projeto é necessário um recurso que ainda não conseguimos captar, já que demandará tempo, pesquisa, entrevistas e muitos outros desafios. Quem sabe não conseguimos parceiros que nos ajudem a colocar esta ideia em prática.

SERVIÇO:

“UEL 55 Anos - Um Mosaico de Histórias”

Organização – Fábio Luporini

Editora – Engenho das Letras

Páginas – 506

Quanto – R$ 120

Lançamento:

Quando – Dia 17 (quarta-feira), 20 horas

Onde – Cine Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina.

mockup