Livro com perfil de Chico Buarque será lançado amanhã
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Mauro Dias 
São Paulo, 23 (AE) - Chico Buarque quis fingir que já havia morrido. A jornalista Regina Zappa marcou encontro com ele num restaurante carioca. Proposta: escrever um livro sobre ele. "Posso fingir que já morri?", perguntou Chico. Não. Não pode. No fim, Chico topou. Abriu a alma, em seis meses de encontros. Regina Zappa ouviu o compositor, amigos, parentes. O resultado é o novo volume da série Perfis do Rio, da editora Relume Dumará e da Secretaria de Cultura de lá.
"Chico Buarque - Para Todos" (200 páginas, R$ 15,00) vai ser lançado amanhã (24), às 20 horas, no Espaço Museu do Universo do Planetário da Gávea (Rua Vice-Governador Rubens Berardo, 100), no Rio. É uma leitura deliciosa. Essencial para que se compreenda a obra de Chico? Não, com certeza, não. Tampouco é descartável. Afinal, Chico Buarque, uma das raras humanidades nacionais, não é exatamente uma pessoa pública. Sabe-se pouco, dele. Em geral, sua imagem é a da indecifrável esfinge. Coisa que, prova Regina, não corresponde à realidade.
Como já observou o jornalista João Máximo, autor de minunciosa biografia de Noel Rosa, há diferenças entre biografias e perfis. Uma biografia precisa esgaravatar todas as minúcias. Um perfil permite-se olhar os fatos, o que importa e interessa diretamente. "Chico Buarque - Para Todos" vai aos fatos. Da infância, em São Paulo, brincadeiras de rua, jogos com os irmãos, relacionamento com os pais, à separação de Marieta Severo - um casamento que durou 30 anos.
As revistas especializadas em bobagens não conseguiram muito sobre a separação. Marieta falou dela a Regina Zappa. Chico Buarque falou, também. E das filhas, dos netos, da música, do Rio. Falou da bebida, que já foi muita e hoje é pouca, de outros vícios. Das músicas, dos (não muitos) amigos íntimos, a quem é rigorosamente fiel. De futebol, de palco, de inspiração, de concentração. Os parceiros de palco (e de futebol, parece ser obrigatório) salientam a seriedade profissional de Chico, seu rigor autocrítico, suas qualidades pessoais e artísticas. Um perfil completo, engrandecido pela graça narrativa da autora.


