Livro aborda o autismo numa história cheia de afeto
Márcia Rejaine Piotto lança no sábado (13) livro sobre as vivências com seu filho, portador do transtorno do espectro autista
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de setembro de 2025
Márcia Rejaine Piotto lança no sábado (13) livro sobre as vivências com seu filho, portador do transtorno do espectro autista

No livro "O Menino Que Não Falava, Mas Ouvia - Uma História Real " - a professora, escritora e poetisa Márcia Rejaine Piotto, apresenta aos leitores a relação e interação dela e de seu filho, Jivago Augusto, 39 anos, diagnosticado aos 23 com deficiência intelectual profunda e transtorno de espectro autista. O lançamento será neste sábado (13), às 14h30, na Biblioteca Pública Municipal de Londrina Pedro Viriato Parigot de Souza, avenida Rio de Janeiro, 413.
A autora foi mãe de uma criança com deficiência e transtorno do espectro do autismo na década de 1980 e afirma que se naquela época havia avanços na definição médica sobre este transtorno do autismo, essa informação para ela e para a sociedade em geral era escassa. "Este livro representa a minha vivência com meu filho com deficiência intelectual e autismo, e o 'mundo' que nos rodeia repleto de percalços, de desafios, de descobertas, de aprendizados, de lutas, de batalhas ganhas e perdidas, de encontros humanos e desumanos", explica.
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A proposta da escritora, ao expor a sua vivência, é trazer uma base para reflexão sobre políticas públicas de inclusão e os direitos garantidos às pessoas com deficiência e autismo. Piotto acredita que nos dias atuais as famílias estejam mais amparadas. "Percebo que o conhecimento sobre o Transtorno do Espectro do Autista – TEA avançou muito, inclusive sobre a neurodiversidade, pois há a necessidade de intervenções personalizadas e respeitosas. Mesmo assim, sabe-se que o conhecimento nem sempre está ao alcance de todos, o fato é que existe uma desigualdade gritante no Brasil. Nem todos têm acesso à internet, a fontes confiáveis e à informação. Muitas pessoas com TEA passam a vida sem diagnóstico, ou com o diagnóstico tardio como o de meu filho", diz.
Diante de sua experiência, considera: "Desde há muitos anos há carência de profissionais bem preparados, em todas as áreas. Vivenciei e vivencio este fato até os dias atuais. Bem sabe, quem tem pessoa na família com deficiência ou transtornos. Profissionais que se intitulam qualificados, comprometidos, porém a qualificação não se dá apenas num certificado de especialista, é muito mais amplo, a verdadeira excelência profissional exige atitudes humanas. Percebo o preconceito, a falta de ética, empatia e respeito à diversidade".

RESILIÊNCIA
Piotto reconhece que há avanços. "Percebo que a sociedade está avançando, porém tem muito ainda que aprender sobre empatia, respeito, inclusão e direitos. Jivago Augusto mesmo sendo uma pessoa não verbal, com deficiência e TEA já reivindicou direitos através do judiciário que outras pessoas com deficiência e transtornos se beneficiaram por uma inclusão com mais dignidade e respeito. Tenho esperança que a sociedade verdadeiramente se torne mais humana e evoluída, aprenda a acolher, respeitar a singularidade de cada pessoa. Com meu filho aprendi a ter paciência, resiliência, meu amor por ele é incondicional, ser uma mulher sensível ao próximo, a enxergar as pessoas como únicas. Ser mãe de Jivago Augusto é amá-lo intensamente, uma experiência profundamente transformadora", afirma.
Ao longo dos 39 anos de vida de Augusto Jivago, a escritora explica que pode se aprofundar no tema em questão. "Para compreendê-lo, ajudá-lo e defendê-lo. Nos ajudar! Ser resiliente foi a palavra-chave para todos esses anos de luta em todos os segmentos, na área da saúde, educação, justiça e outros. O tratamento foi complicado devido à alta complexidade e assertividade de medicamentos específicos, de uso contínuo e alto custo para a sua deficiência e TEA. Não houve inclusão em instituições educacionais especializadas para pessoas com deficiências anos atrás, as mesmas não estavam preparadas para incluí-lo, também aceitá-lo", desabafa.
A psicanalista graduada em Educação Artística Adriana Regina Piotto Tirola, escreveu sobre a obra: "A autora, na sua delicadeza e ludicidade, por intermédio da linguagem escrita e visual, faz um desdobramento do signo autismo fazendo apontamentos e explorando os movimentos e comportamentos implícitos no pequeno sujeito que está na estrutura autística."
"Hoje percebo que a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 (todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos) não foi respeitada. A LDB reforça que a educação é direito de todos; Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, é conhecida e considerada como o Estatuto da Pessoa com Deficiência, também chamado de Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Ela tem como objetivo assegurar e promover a inclusão social e o pleno exercício da cidadania por pessoas com deficiência, garantindo seus direitos e liberdades fundamentais em igualdade de condições com os demais cidadãos," diz a autora do livro.
Piotto também é autora de outros livros.
LEIA AQUI:
"Guardiães da memória dos povos Kaingang"
https://drive.google.com/file/d/1SEhcw57rV-0pXr07yNGxHowEloRSxFwP/view
"Londrina em essência: encontros, encantos e memórias"
https://drive.google.com/file/d/1Gdp2ov4Mw7t_Ocb7oAL4-E8C_oiOWbWT/view
"Narrativas da Terra Indígena do Apucaraninha"
https://drive.google.com/file/d/1uNVVS0KRxE7IzTiCO4fS42AQl4lqqSgi/view

SERVIÇO
Lançamento
"O Menino Que Não Falava, Mas Ouvia - Uma História Real"
Autora: Márcia Rejaine Piotto
Quando: sábado (13),às 14h30
Onde: Biblioteca Pública Municipal de Londrina Pedro Viriato Parigot de Souza, avenida Rio de Janeiro, 413.
Valor: R$70 reais
Informações: [email protected]


Walkiria Vieira
Repórter de Cultura, Educação e temas sociais.




