Livro aborda a discriminação juvenil
'The Outsiders – Vidas Sem Rumo', cativante romance de Susan Hinton, traz o retrato de uma juventude entre o desamparo e a violência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de junho de 2020
'The Outsiders – Vidas Sem Rumo', cativante romance de Susan Hinton, traz o retrato de uma juventude entre o desamparo e a violência
Marcos Losnak/ Especial para Folha 2 
Susan Hinton tinha 15 anos quando mudou de colégio. De família humilde, havia recebido uma bolsa para estudar numa respeitada escola de classe média alta. Aquilo que seria uma oportunidade se converteu em angústia.
Susan entrou em contato com uma nova realidade, a latente tensão social entre alunos ricos e alunos pobres. Os alunos abastados humilhavam, sem dó nem pena, os alunos pobres. A tensão chegou ao ápice quando um de seus amigos levou uma tremenda surra, na saída do colégio, pelo simples fato de não ser rico, pelo fato de não ter nascido numa família abastada.

A partir dessa experiência, com apenas 15 anos de idade, Susan E. Hinton escreveu um dos romances mais cativantes da literatura juvenil norte-americana: “The Outsiders”. O livro seria publicado dois anos depois, em 1967, quando Susan estava com 17 anos.
A obra ganhou grande popularidade na década de 1970 e nunca perdeu atualidade e sentido. Em 1983 o diretor Francis Coppola transformou o romance em filme que no Brasil recebeu o nome de “Vidas Sem Rumo”.
A editora Intrínseca está lançando uma nova edição de “The Outsiders – Vidas Sem Rumo”, com nova tradução. A primeira edição brasileira foi publicada 35 anos atrás, em 1985, pela editora Brasiliense.
O romance é narrado por Ponyboy, um garoto de 14 anos que, após a morte dos pais, vive com seus irmãos Sodapop, de 16 anos, e Darry, de 20 anos. Sem nenhum adulto por perto, vivem da maneira que bem entendem com um novo arranjo familiar.
A história está centrada na rivalidade entre dois grupos de jovens, os pobretões delinquentes “Greasers” e o riquinhos violentos “Socs”. Divididos pela condição econômica, os grupos passam as noites envolvidos em disputas, brigas e ofensas. Marginalizados, os “Greasers” procuram na violência uma válvula de escape. Protegidos, os “Socs” procuram na violência uma forma de diversão.
Ponyboy e seus irmãos fazem do “Greasers” uma espécie de família que abriga jovens provindos de famílias desestruturadas e sem grana. A sensação de pertencimento ao grupo substitui a sensação de pertencimento da família original. Se os adultos não cuidam deles, eles próprios se encarregam de cuidarem de si mesmos e do grupo. A família originária é deixada de lado para dar lugar a uma nova família.
O desamparo e a falta de perspectiva fazem com que os “Greasers” vivam com intensidade o aqui e o agora. O futuro se apresenta como algo terrível que não deve ser lavado em consideração. Esse desamparo aparece de várias maneiras, como acontece quando um dos garotos chega a admitir que prefere que o pai o espanque toda vez que chega em casa. Isso porque o espancamento é o único momento em que o pai sabe quem é o garoto. Só no momento do espancamento o menino ganha visibilidade nos olhos do adulto.
Em toda a narrativa de “The Outsiders” não existe a presença ou a não dos adultos. Todo o protagonismo está nas mãos dos jovens. Susan Hinton apresenta uma jornada de revolta e entendimento a partir da ótica puramente juvenil.
Para a Susan Hinton, existe algo extremamente brilhante nas crianças. Como também existe algo luminoso nos jovens. Um tipo de brilho único. Um brilho dourado. Um dourado semelhante ao nascer do sol. Um tom dourado parecido ao pôr do sol.
Aquele tipo de dourado que, apesar de breve, possui potência, intensidade e verdade. Uma cor luminosa que, em pouco tempo, se esvai ao nascer do sol da infância. Um dourado que se extingue ao pôr do sol da juventude.
Um brilho que deixa de existir em todos aqueles que se tornam adultos. Em todos aqueles que, diante das crueldades do mundo, abandonam a luminosidade.

SERVIÇO:
“The Outsiders – Vidas Sem Rumo”
Autora – Susan E. Hinton
Editora – Intrínseca
Tradução – Ana Guadalupe
Prefácio – Ana Maria Bahiana
Páginas – 240 (capa dura)
Quanto – R$ 49,90


