Livro A 'Poesia mínima' de Carlos Luz
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu O poeta Carlos Luz lança hoje seu livro ''Poesia mínima'', em Foz do Iguaçu, disposto acrescentar um toque pessoal em dois conceitos do gênero, a rima e a métrica. Ele desafia o estilo ao trabalhar a métrica do poema mínimo sem levar em conta os sons fonéticos, as sílabas poéticas, mas sim as letras e os caracteres, sempre alinhados e sem os espaços das palavras.
A técnica resulta num poema mínimo, sem mais que dois versos e com o mesmo número de palavras cada um. ''Se o termo metrificação deriva da palavra metro e é usada para 'medir' um poema, então cabe perfeitamente para designar a unidade da poesia mínima, já que ela é medida e, portanto, metrificada, embora de uma forma específica'', explica Luz.
O foco do trabalho está voltado a letra ou caractere, partícula mínima em que a palavra pode ser reduzida. Segundo o poeta, ''é uma composição poética constituída por um dístico rimado, contendo o mesmo número de letras ou caracteres, desprezando-se os espaços entre as palavras''.
Tudo isso transforma a poesia mínima, numa linguagem popular, ''curta e grossa'', que, à primeira vista, mais parece um jogo de caça-palavras, mas depois é apreciada sem mistério. ''Poeta é justamente o homem que cria as regras poéticas'', afirma Luz, reproduzindo um pensamento do poeta russo Wladimir Maiakóvsky.
Poeta e ativista cultural, Carlos Luz é natural de Marília (SP) e está radicado há 17 anos em Foz. Aos 41 anos lança o seu primeiro livro, porém já teve seus poemas publicados em coletâneas, jornais, revistas, carimbos, cartazes, camisetas e cartões postais. Em 2000 foi o vencedor do Prêmio Cataratas de Literatura, na categoria poesia.
Editados pela curitibana Travessa dos Editores, os 131 poemas são dividido em cinco blocos mínimas críticas, líricas, práticas, eróticas e etílicas, que trazem ingredientes como ironia e humor. ''Poesia mínima'' é parte da coleção lançada pelo selo ''Faxinal do céu'', que inclui dez títulos, de autores nacionais e estrangeiros.
Além da obra, o poeta trabalha o ''Mínimas Poéticas'', um projeto de debates, mostra e oficinas sobre poesia nas escolas e faculdades da fronteira e de municípios da região. Conforme Luz, o objetivo é ''desmistificar o conceito de que ela é acadêmica ou feita por pessoas iluminadas. A poesia é arte, e como tal deve fazer parte do nosso dia-a-dia''.
SERVIÇO:
Lançamento do livro ''Poesia mínima'', de Carlos Luz, editora Travessa dos Editores. Hoje, às 20 horas, na Casa do Teatro (Rua Marechal Deodoro, 943), em Foz do Iguaçu.


