LIVRO - Zen aqui e agora
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de setembro de 2005
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
Ficar zen nos sugere a idéia de acalmar a mente, mais que isso, esvaziar os pensamentos para entrar num estado cósmico que liga o indivíduo ao universo. O caminho para o zen pode ser percorrido na solidão, mas também pode ser feito na coletividade. É o que nos ensina o primeiro livro escrito pela Monja Coen, líder budista que vive em São Paulo e vem a Londrina, neste domingo, para lançar ''Viva Zen - Reflexões Sobre o Instante e o Caminho'', às 16 horas, na Livrarias Porto Megastore, no Shopping Catuaí.
Editado pela PubliFolha, o livro reúne uma seleção de textos publicados aos domingos na Revista da Hora, do jornal Agora São Paulo. Em linguagem simples, transforma temas difíceis como a violência, o medo e a discriminação em reflexões nas quais os ensinamentos budistas transparecem em pequenas lições que lembram as fábulas.
No livro a Monja Coen transmite a consciência do que é ser zen na modernidade, uma mulher para quem o tema ''mulheres'', por exemplo, se reveste do sentido múltiplo que hoje coloca o sexo feminino de várias maneiras: mães, filhas, sobrinhas, guerreiras, guerrilheiras, gerentes, doutoras, feirantes, astronautas e o que mais couber para analisar suas ações no mundo contemporâneo. Essa atualidade é um dos aspectos relevantes do livro que estimula o leitor a buscar um estágio de evolução no cotidiano. Ele ensina que na vida urbana, a cordialidade é um princípio a ser retomado a partir de atitudes simples como manter a paz na vizinhança, não fazer barulho, não estressar no trânsito.
O conceito de ''viver bem na coletividade'' está no livro e reforça as práticas da monja que já esteve em Londrina, em 2003, para realizar uma Caminhada Zen, tarefa a que se dedica constantemente em São Paulo e outras cidades. Ao colocar dezenas de pessoas meditando nos parques e nas ruas, ela dá uma demonstração de como interferir nos centros urbanos levando uma mensagem pacífica que destoa dos ambientes contaminados por situações violentas ou perturbadoras. Esses princípios moldam também seu primeiro trabalho literário que demonstra como a atitude zen pode prevalecer sobre a raiva, a competição, a impaciência e outros sentimentos que envenenam o dia-a-dia de uma forma que às vezes nem percebemos, por estarmos conectados a um estado de consciência que absorve o nervosismo, a agressão e outras negatividades como coisas naturais.
''Viva Zen'' é um apelo ao bem-estar, ao viver bem, é a sugestão da retomada da gentileza, da solidariedade e de outros valores que fazem falta ao mundo moderno. Em sua primeira parte - O Instante -, em cada capítulo o leitor identifica cenas e atitudes com as quais nos deparamos em casa, no trabalho, nas ruas e é levado a refletir sobre os tropeços, as mesquinharias e as gafes da sociedade moderna.
Na segunda parte - O Caminho -, o livro retoma a tradição budista do mestre que conta pequenas histórias e leva o discípulo a refletir. Nessa tradição encontra-se o conceito de que a transformação pessoal ajuda a mudar o mundo a partir de uma ótica refinada e diferenciada. As lições contidas nesses ensinamentos levam à solução de conflitos comuns a todo ser que vive, ama, sonha e sofre. As fábulas são construídas de modo a clarear o que parece obscuro, ordenar o que parece confuso, instruir o que padece de ignorância. Elas abrem caminhos para os insights que iluminam o que parece grave e complicado. Além disso, demonstram que a construção da coletividade é um processo, em princípio, individual. Ninguém ajuda a mudar o mundo se antes não for transformado. Essa transformação, dentro da prática zen, propõe mais atitudes que discursos, mas o texto sensível da Monja Coen ajuda o leitor a adquirir um sentido de esperança que não se adia para o futuro, mas é transportado para o aqui e agora. Mais que isso, ensina que é preciso viver o instante para encontrar a eternidade.
No último capítulo, um parágrafo emblemático condensa uma das principais propostas de ''Viva Zen'': ''Cartier Bresson nos abençoa com o instante decisivo. Já sincronizado, interser. Momento. Agora. Aqui. Abre a capacidade de ver, enxergar. Ouvir com os olhos. Ver com os ouvidos. Ouvir e ver com todo o corpo - é zen. 'Pintar é meditar'', disse Cartier Bresson. Esse conceito abre as comportas de uma simplicidade impressionante, capaz de inundar o ser e transformar sua relação com o mundo. O livro da Monja Coen oferece um espaço para treinar este vôo.
Serviço:
- ''Viva Zen - Reflexões Sobre o Instante e o Caminho'', da Monja Coen. Editora PubliFolha, R$ 19,90. Lançamento hoje, às 16 horas, na Livraria Porto Megastore, no Shopping Catuaí, em Londrina.


