LIVRO - Uma década em cena
De agosto a novembro do ano passado, os vizinhos da jornalista Ana Maria Bahiana acharam que ela não estava em casa. Ninguém a via. Ela explica a ausência apresentando o resultado desse tempo em que, na verdade, ficou reclusa em sua própria cidade. Dividindo seus dias entre sua casa e o Arquivo da Cidade, no Rio de Janeiro, a escritora pesquisou e escreveu em tempo recorde o Almanaque Anos 70 (Ediouro), um catatau de registros do comportamento daquela década tão marcante, que será lançado em Curitiba nesta quarta-feira. Trata-se de uma compilação de fatos significantes daqueles anos, além de apresentar personagens fictícios, publicidade, moda e ícones da época. O Almanaque pode ser consultado aleatoriamente, seja para conferir o fac-símile da capa da primeira edição da revista Rolling Stone, até a moda indiana nas roupas e nas casas; ou comprovar a irreverência de O Pasquim, ou os livros, filmes, as músicas e as manias que marcaram a década, divide bem essas duas situações. No exterior a crise do petróleo, o fim da guerra do Vietnã, a queda de Nixon e a revolução islâmica no Irã tabulam o começo, meio e fim da década. No Brasil, os marcos, praticamente nas mesmas datas, são o AI-5, as posses de Geisel e de Figueiredo e a Anistia. Um divisor comum fica por conta da disseminação da cocaína como droga prioritária, substituindo a maconha e o LSD exatamente no meio da década, quando acontece esse salto quântico, essa divisão na música, nos costumes, no visual. Ao contrário dos anos 80, que são bastante uniformes e homogêneos, os 70 são idiossincráticos e tribais, compara Ana.
Foi o primeiro e mais influente jornal de oposição à ditadura militar no Brasil. O projeto nasceu no final de 1968 após uma reunião entre o cartunista Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral. O trio buscava uma opção para substituir o tablóide humorístico A carapuça, de Sérgio Porto (que acabara de falecer). Com o tempo figuras de destaque na imprensa brasileira, como Ziraldo, Millôr, Prósperi, Claudius e Fortuna, se juntaram ao time, e a primeira edição finalmente saiu em 26 de junho de 1969.
Ato Institucional Número Cinco, foi decretado pelo Presidente Artur da Costa e Silva em 13 de dezembro de 1968. Representou o ápice da radicalização do Regime Militar de 1964. Os brasileiros ficaram proibidos de se reunir nas ruas, as conversas de esquinas eram reprimidas com violência, as manifestações de qualquer ordem foram banidas, nas escolas começaram as patrulhas ideológicas e, com elas, o confronto violento entre esquerda e direita.
O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.





