Pense nos grandes jornais do País, pense em seus cadernos e suplementos culturais. Não há, em nenhum deles, uma coluna semanal especializada em arte contemporânea. O fato seria suficiente para saudar os artigos escritos às quartas-feiras na Folha2, pelo artista plástico Rubens Pillegi Sá.
A coluna ''Alfabeto Visual'', publicada desde 1999, é acessada também na Internet (www.canalcontemporaneo.com.br) tornando-se referência para os leitores que buscam reflexões sobre manifestações estéticas pós-modernistas. Quatro anos depois de seu texto de estréia, ele decidiu reunir o material num livro homônimo à coluna.
O livro chega ao público hoje, às 20 horas, com um coquetel de lançamento no Museu de Arte de Londrina. ''Não conheço outro volume que tenha sido lançado nos últimos dez anos trazendo uma produção sistemática de textos sobre arte contemporânea publicados anteriormemte em jornal. Acho que é uma obra inédita'' diz ele.
''Alfabeto Visual'' sai da gráfica pela editora local Atrito Art. Traz prefácio do artista plástico carioca Ricardo Basbaum e texto de apresentação da jornalista Célia Musilli. O formato, incomum, tenta reproduzir a própria diagramação da coluna no espaço da página do jornal. Rubens explica que ''a idéia era transformar o livro num objeto autônomo, num objeto de arte''.
Reunindo 126 textos, os temas abordados variam do antiilusionismo na estética contemporânea à crítica de arte, passando pelo espaço criado pelas mulheres na arte e o arsenal de idéias disparado por artistas como Marcel Duchamp, Nuno Ramos, Waltércio Caldas, Cildo Meireles e Arthur Bispo do Rosário. ''Normalmente não faço comentários de obras'' sublinha ele. ''Prefiro desenvolver linguagens usando, muitas vezes, a poética alheia como pretexto. Entram em jogo, aí, elementos da escrita que se tornam música a partir da experimentação com a linguagem. Há ensaios, crônicas e criação mesmo. A luta com as palavras é uma extensão das minhas atividades como artista''.
Distinguindo a arte contemporânea da arte moderna, ele assinala que esta preocupou-se em resolver suas questões formais a ponto de transformar-se num discurso hermético para especialistas inacessível para as massas. Já a arte contemporânea procura segundo ele aproximar-se do público ao agir no cotidiano manifestando-se nas ruas ''em situações em que não se sabe direito se aquilo é ou não é arte''.
''Uma boa parte da arte contemporânea acontece longe dos museus, galerias e da bengala da crítica'' argumenta. Rubens nota que Londrina já começa a acolher experiências do gênero. ''Estão aparecendo trabalhos menos formalistas na cidade'' garante. Como exemplo, cita eventos como o ''Dia do Nada'' (contraponto ao Dia do Trabalho e celebrado na primeira segunda-feira do mês de maio reunindo artistas nas praças para exaltar criativamente a preguiça), o ''Malbembe'' (happening realizado mensalmente sob os arcos do Museu de Arte) e ocasionais intervenções de ''terrorismo poético'' inspiradas em escritores como Hakim Bey e Steve Home.

Serviço:
- Coquetel de lançamento do livro ''Alfabeto Visual'', de Rubens Pillegi Sá. Hoje, às 20 horas, no Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 640).

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