LIVRO - Paulo Coelho lança 'Zahir'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de março de 2005
Júlio Maria<br> Agência Estado 
Os atabaques soaram, os planetas se posicionaram, os bispos se ajoelharam, os monges atingiram o estado de nirvana e Paulo Coelho, sentado em uma pedra na fronteira da França com a Espanha de olho no laptop sobre o colo, exorcizou seus últimos demônios. Ao colocar ponto final na página 318 de seu 19º livro batizado ''O Zahir'', Coelho acertou a jugular dos críticos e derrubou as últimas fronteiras para se tornar o brasileiro mais lido no mundo.
A crítica que sempre o fustigou aprendeu que Paulo Coelho vende, além de livros, revistas. As três publicações semanais mais importantes do país, ''Veja'', ''Isto É'' e ''Época'', estampam em suas capas o cavanhaque branco do escritor e comemoraram sua volta em deslumbradas matérias. Sobre o conteúdo de ''O Zahir'', nenhuma linha desabonadora. Às prateleiras brasileiras o livro chegou ontem e, entre abril e dezembro, estará traduzido em 42 idiomas e sendo lido em 83 países diferentes.
''O Zahir'' é um romance com vontade de pular a cerca para virar biografia. As histórias de um escritor angustiado que passa a fazer sucesso depois de percorrer o Caminho de Compostela, que curtiu Beatles na adolescência, que escreveu letras de música para um cantor (Coelho o fez para Raul Seixas nos anos 70) e que é amaldiçoado pelos críticos sempre são a mais pura realidade. Mas as passagens sobre a mulher deste escritor, Esther, que desaparece supostamente com um amante do Casaquistão e sobre outras traições conjugais são pulgas atrás da orelha do leitor que Paulo Coelho, depois de colocar, faz questão de esclarecer: ''Tudo ficção.'' ''O Zahir'', nome de um conto de Jorge Luis Borges, é palavra árabe que significa ''idéia fixa'', algo que pode ser considerado santidade ou loucura.
O livro se tempera ainda do polêmico condimento que mistura história com estória, consagrado pelo ''O Código Da Vinci'', de Dan Brown. Em uma conversa com Esther, o escritor (que não tem nome no livro) lembra que o dia 25 de dezembro era a data em que os pagãos comemoravam o nascimento do deus sol, muito antes de Cristo nascer. A data passou a ser o Natal cristão porque um bispo assim determinou. O mesmo tema, mera ou não coincidência, está no próprio ''Código da Vinci''.


