LIVRO - O corpo como meio e mensagem
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de fevereiro de 2006
Karla Dunder<br> Agência Estado 
Em ''A Alma Encantadora das Ruas'', João do Rio escreve: ''O primeiro homem, decerto, ao perder o pêlo, descobriu a tatuagem.'' Desde tempos antigos o homem faz desenhos pelo corpo, usa adornos e penduricalhos. O assunto intrigava a jornalista e escritora Leusa Araújo, que passou dois anos pesquisando as origens da tatuagem e a história da prática da pintura corporal em diferentes culturas. O resultado está registrado no livro ''Tatuagem - Piercing e Outras Mensagens do Corpo'' (Cosac Naify, 88 págs., R$ 49).
Leusa usa a linguagem de almanaque, explora belas imagens e textos curtos, com informações históricas, culturais e curiosidades espalhadas por nove capítulos. Como a obra é focada no público jovem, um agrado: um encarte com tatuagens removíveis. No fim, instruções sobre cuidados a serem tomados com as tatuagens e os piercings.
''Essa é uma prática milenar, que se disseminou pelo mundo, passou por períodos de aceitação e em outros momentos históricos caiu no obscurecimento'', explica a autora. ''A proposta de escrever em forma de almanaque faz com que o leitor estabeleça conexões, reflita e veja que tanto as tatuagens como as pinturas corporais são culturas vivas, presentes em diferentes civilizações e épocas.''
O primeiro homem tatuado viveu há 5.200 anos. tzio foi encontrado na região dos Alpes e possuía 50 tatuagens espalhadas pelas costas. Quando os espanhóis chegaram à Polinésia, encontraram homens todos desenhados. Nas sociedades tradicionais, as tatuagens e piercings funcionam como uma carteira de identidade. Entre os carajás, no Brasil, durante o rito de passagem da criança para a adolescência são tatuados dois círculos no rosto. A tinta é feita com jenipapo e carvão e a mistura é aplicada na pele com um instrumento feito com dente de peixe-cachorro.
No Japão, as tatuagens chegaram por meio dos coreanos e chineses em Edo (Tóquio). Feitas com um bambu bem fino, retratavam guerreiros. Depois, passaram a identificar os membros da máfia, a Yakuza. Nos presídios, as tatuagens são feitas de forma precária e contam a história dos detentos.
Já o primeiro registro do piercing data de 4.500 anos, quando tribos usavam ossos ou pedaços de madeira atravessados no septo nasal. Em algumas sociedades, como as pré-colombianas, os xamãs usavam piercings de ouro, como sinal de autoridade. Na Ásia, a pintura corporal é muito difundida, principalmente entre as mulheres indianas e nepalesas que se enfeitam com henna no dia do casamento, os desenhos nas mãos e nos pés da noiva parecem renda. Os primeiros desenhos pelo corpo datam do Egito antigo. Essa prática foi resgatada pelos hippies.
''A necessidade que as pessoas têm de se enfeitar e de se embelezar são fortes. Vale observar como a tatuagem tem diferentes significados, principalmente no Ocidente - um símbolo de tristeza nos campos de concentração nazistas e de rebeldia hoje.''
Serviço:
- Tatuagem, percing e outras mensagens do corpo, de Leusa Araujo. Editora CosacNayfi. 85 páginas. R$ 49,00.


