LIVRO - Mais um romance policial
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quarta-feira, 17 de novembro de 2004
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de ouvir o canto das sereias, Nelson Motta investe num mundo de ''Bandidos e Mocinhas''. Esse é o título do segundo romance que o escritor, jornalista, produtor e compositor lança hoje em Curitiba. Ele participa de um bate-papo com leitores às 19 horas, na Livraria Fnac do Park Shopping Barigui. Bandidos e Mocinhas (Objetiva, 256 páginas) conta a história de Lara Leoni, uma atriz sexy e decadente que morre no palco. Descobrir o assassino é a motivação dos principais personagens que compõem a trama, desde o bandido Dida, amigo do marido da atriz à delegada Marlene, que se vangloria de solucionar todos os casos que chegam ao seu distrito.
Nelson Motta é responsável por contar parte da história da música brasileira, mas já vêm se dedicando aos romances policiais, uma de suas paixões, desde ''O Canto da Sereia'', também lançado pela Objetiva. Toda a experiência obtida na música, porém, reflete diretamente nos seus romances. Em quase 40 anos de atividade, Motta reúne episódios de quem acompanhou alguns dos momentos mais importantes da MPB.
Parte dessa história está no livro ''Noites Tropicais'', autobiografia lançada há quatro anos em que Motta inclui algumas de suas principais letras. Ele começou a compor cedo. Ainda garoto, quando assinava Nelsinho Motta, escreveu ''Encontro'' para música de Wanda de Sá, gravada pela cantora na década de 60. Mas foi nas parcerias com Dori Caimmy que ele impulsionou a carreira. Entre as tantas composições em parcerias com o filho de Dorival, está a clássica ''De onde Vens'', gravada por Elis Regina.
Desde que Motta começou a carreira é quase impossível dissociar os momentos marcantes da música nacional do produtor e letrista. É dele a letra de ''Perigosa'', das Frenéticas, que driblou a censura e ganhou as rádios e a voz de todo o Brasil. E ainda que ele tenha promovido uma certa lacuna entre a década de 60 e 70, o seu trabalho retomou com força total na parceria com Lulu Santos (quem não lembra de ''Como uma onda'' ou ''Tudo Azul'' ?), um de seus parceiros mais efetivos.
Com tanta experiência, fica difícil dissociar o trabalho atuante do letrista, e produtor, só para citar algumas funções, da literatura que ele produz. É por isso que os romances policiais de Motta trazem implícito toda essa bagagem. ''Bandidos e Mocinhas'' não é diferente.


