Curitiba - ''Às vezes, a transformação se dá pela palavra. Escrever é uma forma de contribuir para a melhoria das cidades.'' A frase é do ex-governador do Paraná Jaime Lerner (PSB), ao ponderar se considera mais fácil escrever um livro ou fazer política.
Longe das obrigações políticas que o Palácio Iguaçu exige, Lerner, que foi governador do Paraná durante oito anos, tem aproveitado o seu tempo para fazer o que adora: observar cidades. Durante o último ano, Lerner presidente da União Internacional dos Arquitetos (UIA), sediada em Paris, na França viajou pelo mundo. Foi a países da Europa, Nova Zelândia e também á China e à China e ao Havaí.
As impressões que colheu o inspiraram. E da sua percepção de arquiteto e urbanista surgiu o livro ''Acupuntura urbana'' (Record - 140 páginas), lançado na noite anteontem em Curitiba, na livraria Saraiva do Shopping Crystal.
O termo ''acupuntura urbana'' foi idéia do próprio Lerner, e significa inserir mudanças pontuais nas cidades, sem exigir transformações significativas e sem consumir muito tempo. Mas essas pequenas mudanças trazem um fôlego novo à cidade. Exemplos: a Ópera de Arame e o Teatro Paiol, ambos em Curitiba. Lerner cita ainda como exemplo de acupuntura urbana a Pinacoteca de São Paulo (SP). ''A acupuntura urbana não precisa interferir no planejamento geral das cidades, mas cria melhores condições de vida para a população'', resume Jaime Lerner. Esse conceito norteou suas ações como prefeito de Curitiba, cargo que ocupou três vezes.
Apesar do tema, o livro de Lerner não foi concebido como um manual técnico para arquitetos e urbanistas, com jargões técnicos e planos diretores. Nas palavras do autor, é um conjunto de ''percepções para explicar as cidades''. Ele fala das luzes, dos contrastes, dos sons, das ruas e das pessoas que compõem as cidades.
Além da acupuntura, Lerner aborda nas páginas de seu livro o que chama de gentilezas urbanas. O artista que se apresenta na Boca Maldita, a música que as pessoas ouvem ao caminhar.
O texto de apresentação na orelha do livro é assinado pelo arquiteto e amigo Oscar Niemeyer, que fez a convite de Lerner o projeto do Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico, em Curitiba. Niemeyer resume o que encontrou nas páginas de ''Acupuntura Urbana'': intuição.
Lerner adiantou à Folha que está trabalhando em um novo livro, desta vez sobre soluções para o futuro das cidades. Assim como em ''Acupuntura Urbana'', a intenção é ficar longe do estilo hermético, sem linguagem técnica. ''Será mais uma especulação sobre o futuro das cidades'', explica o ex-governador.

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