No ano passado, o arquiteto, urbanista e professor londrinense Antonio Carlos Zani publicou um livro em que fazia um inventário das casas de madeira construídas entre as décadas de 30 e 70 no Paraná. Agora ele traz a público o livro ''Repertório Arquitetônico das Casas de Madeira de Londrina'', em que retoma a mesma pesquisa, só que restringindo sua abrangência à zona urbana do município. O lançamento será hoje às 20 horas no Museu de Arte.
Zani conta que a pesquisa foi realizada na década de 80, quando a verticalização dos imóveis se intensificou em Londrina suplantando o antigo patrimônio arquitetônico local. ''Várias casas que se mantinham de pé naquela época já foram demolidas. O livro resgata a memória dessas construções'' diz ele, fazendo questão de diferenciar seu objeto de investigação do trabalho apresentado pelo fotógrafo Carllos Bozelli no livro ''Arquitetura de Madeira na Zona Rural de Londrina'', publicado em 2000.
''O livro dele traz um levantamento mais recente. O meu aborda as casas que ainda estavam de pé nos anos 80'' sublinha. Nas duas primeiras partes da obra, Zani aborda o contexto madeireiro para produção das casas entre as décadas de 40 e 60, enfocando a abundância de matéria-prima e as serrarias pioneiras. O terceiro e o quarto capítulos tratam das primeiras construções e da predominância da casa de madeira nas décadas de 40 e 50.
O quinto e o sexto capítulos explicam o repertório arquitetônico e o sistema construtivo. Finalmente, o sétimo e último capítulo aponta caminhos para a preservação das casas de madeira em Londrina e região. ''O ideal seria preservá-las no próprio local em que foram construídas'' diz ele. ''Mas é possível fazer o translado a exemplo do que fez a Universidade Estadual de Londrina (UEL), que preserva uma casa típica urbana construída em 1945 e que foi deslocada da Rua Goiás e montada no Campus Universitário. O mesmo fez a Prefeitura de Cambé, que preserva duas casas em seu Parque Histórico Municipal pelo mesmo método. Não são soluções ideais, porque preservam somente as casas e não a paisagem, mas tais iniciativas devem ser valorizadas, já que ao menos conservam a tipologia e o sistema construtivo das casas''.
Zani salienta que a proteção legal de uma casa de madeira ou de um conjunto delas vem de encontro à necessidade de criar uma imagen positiva de preservação da identidade e qualidade de vida da cidade. ''Para que isso ocorra'' sublinha ele ''é necessário oferecer mecanismos de compensação ao proprietário do imóvel preservado, como por exemplo, a insenção do pagamento de impostos e taxas que incidam sobre a propriedade ou sobre a atividade que nela é desenvolvida''.
O livro tem 198 páginas. O autor é arquiteto, urbanista, professor de pós-graduação na UEL e professor do curso de arquitetura e diretor do Centro Politécnico da Unopar. ''Repertório Arquitetônico das Casas de Madeira de Londrina'' foi patrocionado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

Serviço:
- Hoje: lançamento do livro ''Repertório Arquitetônico das Casas de Madeira de Londrina'', de Antonio Carlos Zani. Horário: 20 horas. Local: Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 640).

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