São Paulo, 23 (AE) - Historiador pela formação acadêmica que também o fez mestre em Comunicação Social, livreiro por paixão, Aníbal Bragança, professor da Universidade Federal Fluminense, lança amanhã (24), a partir das 19 horas, no Museu da Cultura (Rua Monte Alegre, 984, Perdizes), o livro "Livraria Ideal - do Cordel à Bibliografia" (EduFF-Pasárgada, 235 páginas
R$ 35,00).
É uma história de livros, livrarias, livreiros e leitores no Brasil. Aníbal é português, nascido em Santa Maria da Feira, em 1944, e vive em Niterói, no Estado do Rio, desde os 12 anos. Foi um dos mais importantes livreiros da cidade - suas livrarias Diálogo e Pasárgada (não existiram ao mesmo tempo, mas na ordem em que aparecem indicadas acima) foram centros de discussão cultural, nos anos 60 e 70, pontos de reunião de artistas e intelectuais, de formação de opinião, de resistência cultural e política. Mais tarde, Aníbal seria secretário de Cultura da cidade. Por fim, optou pela vida acadêmica.
"Livraria Ideal" conta a história de Silvestre Mônaco, um italiano que veio para o Brasil em 1922. Foi engraxate. Começou a vender, ao lado da banca de engraxate, jornais, cordéis, livros usados. Tornou-se livreiro. A Livraria Ideal de Silvestre Mônaco, fundada em 1946, e que ainda existe, foi centro de reunião de estudantes e intelectuais. Foi, como seriam mais tarde a Diálogo e a Pasárgada, fundamental para a formação da identidade cultural e política da cidade.
No livro de Aníbal Bragança, o livreiro italiano e sua livraria são símbolos de uma era, que começou com a expansão do mercado editorial brasileiro, até os anos 60, de um sistema de ensino então adotado, de formação intelectual. Não lamenta, mas constata e analisa a perda da hegemonia do livro, nas duas últimas década. É uma história, compacta, abrangente, da formação do Brasil neste século.

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