Natal - De seu Gostoso, morador lembrado pela risada que entretinha quem passava por aquele ponto do litoral norte potiguar, só ficou o apelido emprestado ao nome da cidade. Mas São Miguel do Gostoso é uma das várias denominações curiosas ouvidas no vilarejo a 110 quilômetros de Natal, palco de fatos do início da história do Brasil.
Perto do canto em que o litoral brasileiro faz a curva rumo ao oeste, a Ponta do Santo Cristo é um ótimo lugar para a prática de kitesurfe e windsurfe. Quem não domina os esportes pode ter aulas no local e arriscar algumas manobras.
Entre uma instrução e outra, sobra tempo para saber que diversão não foi o que teve um padre muitos anos atrás, quando passou pela ponta a caminho de Natal, onde entregaria uma estátua de Jesus. Atacado por índios, o sacerdote foi encontrado decapitado, abraçado à imagem. A lembrança do episódio batizou o lugar.
Outro ponto que guarda história é a Praia de Tourinhos. Praticamente deserta, ali ergue-se uma duna petrificada de 2 mil anos. O navegador Gaspar Lemos, que passou pelo local em 1501, é responsável pelo nome. Ao entardecer, o paredão iluminado pelo sol lembrou ao português a imagem de touros com chifres luminosos.
Para chegar ao local, os turistas costumam pagar por uma carona dos pescadores ou vir de buggy pela praia. O passeio deve incluir uma caminhada até o mirante da Pedra da Baleia, uma abertura na rocha por onde a água das ondas jorra e imita o esguicho do mamífero.
A passagem de Gaspar Lemos também está registrada na Praia dos Marcos, primeiro lugar a receber um registro de posse português. Eram três pedras retangulares deitadas sobre a areia, mas hoje há apenas uma réplica. O que restou do original, dilapidado ao longo do tempo pelos moradores que acreditavam no poder miraculoso das lascas da pedra, está no Forte dos Reis Magos, em Natal.
Apesar de Gostoso não ser um museu a céu aberto, há um pouco de história até no bar. Decorado com vitrolas, rádios e geladeiras antigas, a Urca do Tubarão só toca vinil. A fama do lugar vem da aguardente envelhecida pelo proprietário, o químico Edson Nobre, conhecido como ''ministro da cachaça''.
A bebida estará no primeiro festival gastronômico da cidade, previsto para janeiro. O bolinho de macaxeira, a caldeirada - um cozido de frutos do mar - e o peixe ao molho de manga e gengibre são candidatos a representar a cidade. Gostoso quer fazer jus ao nome.

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