Carnaval não é mais o mesmo de outros tempos. Muito brasileiro deixou de ser momesco, os clubes que ainda realizam bailes são cada vez mais escassos e, em Curitiba, para ajudar, a palavra de ordem é de que o curitibano não tem ginga. Os contrários à tese vão brincar no litoral. Antonina é o quente da temporada; Caiobá é a passarela para caminhar atrás de trio elétrico.
O final da semana foi desse jeito. Alguns milhares de foliões desceram a Antonina, para dançar ao som do Trio Elétrico Arrastão. Ontem foi a noite dos desfiles dos blocos Apinagés e Guarani e das escolas de samba Capela, Batel e Leões de Ouro, bi-campeã do carnaval. Hoje é o dia das Escandalosas, homens vestidos de mulheres, e dos irreverentes blocos de sujo.
Na madrugada de sábado Claudemar Carvalho conferia a festa na pacata cidade litorânea que se transforma nos dias de Momo. Vindo há dois anos de Marumbi, no Norte do Paraná, para Curitiba, ele só conhecia Caiobá. Estava encantado com o tom popular do baile antoninense.
‘‘Aqui o pessoal é espontâneo, é uma festa em família’’, comentou. A alegria que Carvalho encontrou na avenida estava muito além da experiência da orla. Caiobá e Guaratuba, que visitou anteriormente, são lugares onde impera ‘‘exibicionismo’’. É um desfile de modas, caras e bocas: ‘‘O pessoal não fica à vontade’’, analisou.
Ubirajara Carvalho Vasconcelos descobriu Antonina em 1985 e ali bate ponto todos os anos. ‘‘Aqui não é melhor ou pior; todas as vezes que venho é sempre bom’’, disse. Tem mais: depois de se esbaldar à noite, nas horas vagas da tarde pode-se passear em Guaraqueçaba, Rio do Nunes, Morretes. Ou até mesmo esticar para as praias.
Três trios elétricos estão animando as noites de Caiobá, o balneário dos socialites curitibanos, encravado no município de Matinhos. Sábado foi dia de Matimbanda, evento criado há poucos anos e inspirado na Caiobanda, que aconteceu ontem. Hoje o som rola em Guaratuba e amanhã, terça-feira, o carnaval se despede com o Trio Elétrico Drogamed na Praia Brava.
A Caiobanda tem história. Ela foi criada há 30 anos, sem pretensões de longevidade: seus primeiros integrantes eram sócios do Iate Clube de Caiobá. Eles saíam num bloco pelas ruas do bairro, convidando os moradores a juntarem-se na brincadeira.
Esse início ingênuo na passagem dos 60 para os 70 cresceu tanto que, às vésperas da passagem do milênio, previa-se para ontem a participação de cerca de 200 mil foliões.
A Matimbanda, no sábado, assim como as demais atrações, tinha horário previsto para iniciar às 22 horas. A desorganização da primeira noite fez com que houvesse atraso de uma hora porque um dos caminhões dos trios elétricos - eram três - estacionou na avenida pelo lado contrário.
Um dos músicos que tocou no balneário, o guitarrista André, da banda Mani di Bari, passara a noite de sexta-feira animando o baile de Antonina. O resto do carnaval seria em Caiobá. É claro que no roteiro musical estavam os sucessos de Padre Marcelo, Banda Eva, Terra Samba, disse ele. Muito axé music.
Talvez nos salões ainda se ouçam os clássicos dos carnavais passados, porque na rua ‘‘Mamãe eu Quero’’ já morreu, enfatizou. Aquelas músicas que Regina Casé cita no comercial da TV, para apregoar a necessidade do uso da camisinha, ficaram em algum escaninho de outras folias. Sábado em Caiobá, os braços levantados coreografando a música de Padre Marcelo davam sinais de que Rei Momo também não é mais o mesmo. Ou morreu, ou recauchutou o espírito.Kraw PenasAntonina faz o carnaval mais animado do litoral do Paraná: com tanta gente participando da folia, a ordem é sambar até Quarta-Feira de Cinzas. A Matimbanda (no detalhe) arrastou multidões na noite de sábado em CaiobáZeca Corrêa Leite

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