A história da costureira espanhola Inés Suárez, que viaja para o Novo Mundo atrás do marido e acaba se tornando a única mulher a participar da aguerrida conquista do Chile, no século 16, inspirou ''Inés del alma mía'', o último romance da escritora chilena Isabel Allende, lançado em Santiago.
Com poucos documentos de 500 anos atrás e sem mais antecedentes sobre sua fisionomia emoldurada pela longa cabeleira castanha, Allende tentou reconstruir a história de uma mulher que mudou a mediocridade de sua vida na região da Extremadura pela aventura da colonização da América.
''Me perguntaram se é uma reivindicação da figura feminina na conquista ou se é um protesto contra o fato de a mulher aparecer tão pouco na História... Não é nada disso'', declarou Allende, durante entrevista coletiva em Santiago, ao apresentar o romance.
Segundo explicou, em suas leituras sobre a História do Chile, encontrou o nome de Inés Suárez, mas sempre ligado à figura do conquistador Pedro de Valdivia, que fundou Santiago em fevereiro de 1541, depois de uma longa travessia iniciada no Peru.
''O personagem me chamou a atenção: a única mulher espanhola que veio para a conquista'', contou Allende a escritora chilena mais lida do mundo, autora, entre outros, de ''A Casa dos Espíritos'' e ''De Amor e de Sombra'', ambos levados para o cinema.
No entanto, reconheceu a romancista, a falta de fontes de informação fizeram-na dedicar-se durante quatro anos a investigar os personagens no entorno de Inés, além das circunstâncias da época em que viveu.
''Sabe-se muito pouco de como era Inés. A única descrição que existe, que talvez seja certa, talvez não, é que tinha uma longa cabeleira castanho-avermelhada. O resto é preciso imaginar'', refletiu.
Inés Suárez, conhecida na historiografia como ''Inés de Suárez'', chegou ao Novo Mundo acompanhando o marido, Juan de Málaga, que anos antes havia embarcado para as Índias em busca do mítico ''Eldorado'', a suposta cidade de ouro que ficaria na América do Sul.
Uma vez no Novo Mundo, aonde chegou após obter permissões do rei e da Igreja Católica (documentos aos quais Allende teve acesso em sua pesquisa), a mulher descobre que seu marido morreu e fica sozinha na inóspita paisagem do sul peruano. É então que aparece dom Pedro de Valdivia, por quem Inés se apaixona e acompanha em sua empresa de fundar o reino do Chile.
No entanto, o futuro reino carecia da riqueza que abundava nas terras dos incas e, além disso, estava dominado por tribos de índios guerreiros, que defendiam ferozmente seu território.
''Quando Pedro de Valdivia decide deixar tudo e vir para este 'cemitério de espanhóis' que era o Chile, ela diz 'vou com o senhor''', relatou Allende, comentando que era uma mulher ''cheia de vida, de paixão, de saúde, de energia''.
Mas além da paixão que lhe despertou o personagem histórico, a escritora reconheceu que criou um laço mais profundo com sua heroína. ''Chegou um momento em que me senti completamente ela, porque eu também teria seguido um homem por quem estivesse apaixonada e defendido o que criamos com uma espada na mão'', declarou.
''Inés del alma mía'' foi editado simultaneamente em Chile, Argentina e Uruguai, com tiragem inicial de 75.000 exemplares. Enquanto sua tradução para o inglês e outros 20 idiomas é preparada, o romance será lançado em setembro na Espanha e no México.
Depois de Santiago, Allende apresentará seu livro em Buenos Aires, antes de seguir para a cidade espanhola de Plasencia, de onde partiu a heroína de seu livro.

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