Literatura retrofuturista
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
A editora londrinense Madrepérola está com inscrições abertas para um concurso literário para escritores de todo o Brasil. O objetivo é selecionar vários textos de ficção científica, do subgênero teslapunk, e reuni-los em uma antologia a ser publicada ainda este ano pela editora.
O editor Rafael Silva Rodrigues (que comanda a editora ao lado do escritor Felipe Pauluk) explica que este subgênero é quase inexistente no País e, por isso, a editora decidiu incentivar a criação de novos textos. "Não há referências expressivas de escritores brasileiros deste subgênero. Acreditamos que o concurso pode ser uma motivação para que novos - e até mesmo experientes - escritores proponham textos nesse estilo pouco explorado. Esta vai ser a primeira obra [do gênero] de que temos conhecimento."
No total, 15 textos serão selecionados, com, no máximo, 13 mil caracteres cada (o equivalente a cerca de seis páginas). O envio dos textos deve ocorrer até o próximo dia 30 de abril.
UNIVERSO PARALELO
Rodrigues explica que o teslapunk é um subgênero retrofuturista bem próximo ao steampunk, mas que, em vez de estar ambientado no uso irrefreado do vapor, é o uso irrefreado da energia elétrica que ganha destaque. "São textos que exploram temas de tensão entre o passado e o futuro, com realidades alternativas, na qual a trama se desenvolve num universo paralelo."
Segundo o editor, essa narrativa ou estilo é inspirada nos precursores da energia elétrica e aparelhos eletrônicos dos séculos 18, 19 e início do século 20. Rodrigues lembra que este subgênero literário tem como inspiração o cientista e inventor austríaco Nikola Tesla, conhecido por suas contribuições revolucionárias no campo do eletromagnetismo no fim do século 19 e início do século 20.
Apesar de não ter sido reconhecido à época, tido muitas vezes como louco, diversas de suas descobertas contribuíram para o estabelecimento da robótica, controle remoto, radar e ciência computacional. "Esperamos que os escritores explorem essa temática com muita criatividade", diz Rodrigues.
Geralmente, os textos consideram uma história alternativa onde a energia é extremamente barata ou gratuita, limpa e muitas vezes portátil, substituindo todas as fontes de energias anteriores (tais como madeira, carvão e petróleo e os motores a vapor), mas ainda pode ser substituído por outras fontes de energias próprias (como diesel ou energia atômica).
Além destes exemplos, outros itens são muito utilizados no subgênero Teslapunk, que inclui armas de raio em estilo Art Déco, robôs e foguetes espaciais, e, ainda, o uso da informática de forma mais primitiva. "O punk em Teslapunk geralmente surge como uma energia limpa, massas empoderadas eletronicamente. Neste ambiente existem muitos desafios morais e sociais. Estes desafiam a escassez da energia e o monopólio do combustível que já foi relativamente bem utilizado nos Estados Unidos no início dos anos 1900", define Maurício Coelho em um trecho explicativo no site da editora. Coelho será o responsável por selecionar os melhores textos enviados e organizar a antologia, cujo lançamento marca os 160 anos da morte de Tesla.
Serviço:
Regulamento e inscrições no site www.editoramadreperola.com


