O estigma de autor ''regionalista'' perdurou durante anos sobre o poeta Manoel de Barros, um dos grandes nomes da literatura contemporânea brasileira. O motivo vinha das referências ao pantanal presentes em seus versos, muitos inspirados pelas memórias da infância passada em fazendas do Mato Grosso. Hoje em dia, a universalidade de sua poética já é reconhecida por boa parte dos críticos, embora muitos ainda o filiem ao rótulo redutor.
Essa recepção controvertida de sua obra será um dos temas enfocados na série em cinco episódios ''Paixão pela Palavra - Manoel de Barros'', que o Canal Futura estréia hoje, às 23h30. Os outros capítulos serão exibidos nas próximas terças-feiras (dias 25 e 8, 15 e 22 de abril), no mesmo horário e sempre com reprises às sextas, às 16h30.
Dirigida por Cláudio Savaget e Enilton Rodrigues, a série apresenta um perfil biográfico em formato documental incluindo entrevistas com o autor e depoimentos de admiradores anônimos e famosos. A atriz Cássia Kiss e o jornalista José Hamilton Ribeiro se revezam na narrativa e na leitura das poesias. O episódio de hoje traz um auto-retrato falado.
''Eu tenho paixão pela palavra, como por uma mulher bonita'', afirma o poeta. O programa aborda a infância do autor no pantanal mato-grossense, onde experimentou as primeiras impressões acerca do mundo e com a linguagem. ''Eu hoje amo as pobres coisas do chão porque fui criado com elas'', diz Manoel, que faz das coisas pequenas e ''insignificantes'' o substrato de sua obra.
O segundo episódio, intitulado ''Entre o Mar e o Mato'', apresenta o período em que Manoel de Barros vive no Rio de Janeiro, a partir dos 10 anos de idade para dar continuidade aos seus estudos. No Rio, Manoel vive a experiência do internato no Colégio, encontra os livros da Biblioteca Nacional, se interessa por política e finalmente conhece Stella, que viria a ser sua companheira de toda vida e mãe de seus três filhos.
O terceiro episódio, ''O Guardador de Águas'', apresenta o retorno do poeta, já adulto, ao pantanal para cuidar das terras deixadas pelo seu pai. É o período em que larga a literatura para dedicar-se ao trabalho e à família. Passa 10 anos sem escrever. No quarto capítulo da série, batizado ''Admirações'', o espectador fica conhecendo os artistas que influenciaram o poeta e os artistas influenciados por ele.
Há depoimentos de, entre outros, Beatriz Segall, Luiz Melodia, Claufe Rodrigues, José Mindlin e Siron Franco. O quinto e último episódio, ''Do Erudito ao Popular'', apresenta o processo de popularização da poesia de Manoel de Barros a partir da década de 80. Foi nessa época que seu trabalho recebeu reconhecimento em larga escala, embora tenha escrito seu primeiro livro em 1937.
Entre suas principais obras estão ''Gramática Expositiva do Chão'' (1966), ''O Guardador de Águas'' (1989), ''O Livro das Ignorãças'' (1993), ''Livro sobre Nada'' (1996), ''Ensaios Fotográficos'' (2000), ''Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo'' (2001) e ''Memórias Inventadas: A Infância'' (2003).

SERVIÇO
- ''Paixão pela Palavra - Manoel de Barros''
Quando - Hoje, às 23h30, reprise na sexta-feira, às 16h30
Onde - Canal Futura

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