Literatura na ponta da língua
Em Curitiba, os estudantes contam com uma montagem teatral para fixar o conteúdo das obras literárias exigidas pela Universidade Federal do Paraná. É o espetáculo Literatura Viva, que há oito anos consecutivos leva aos palcos encenações de clássicos da literatura brasileira reunindo atores, músicos e figurantes.
A idéia ainda não chegou a Londrina para dar uma ajuda extra aos candidatos, mas para o vestibular da UEL um grupo deles garante que está na ponta dos cascos para enfrentar as questões da próxima segunda-feira. Eu li todos os livros da lista da universidade dedicando uma semana para cada um diz o vestibulando de Medicina, José Eduardo Baroneza, 19 anos.
Entre as leituras, gostou particularmente de Laços de Família (de Clarice Lispector) e de Contos Novos (Mário de Andrade). Para ele, as obras escolhidas tendem a favorecer perguntas de caráter psicológico. É que muitos vestibulares do Sul cobram autores regionais e as perguntas giram em torno de conteúdos localizados. Aqui não, todos os livros selecionados são de temática universal explica.
A lista da UEL, porém, não o agradou totalmente. Acho que deveriam ser incluídos autores europeus e norte-americanos também, para não ficar restrito às literaturas brasileira e portuguesa queixa-se. Daniel Bacco Vilela, 17 anos, outro candidato de Medicina, também leu todos os livros pedidos. Confessa que gostou de alguns, mas que chegou até o ponto final de outros apenas por obrigação.
Os mais legais são o Dom Casmurro (Machado de Assis), Laços de Família (Clarice Lispector) e Contos Novos (Mário de Andrade) cita. O romance de Machado de Assis também é um dos preferidos de Monalisa Hassman Camargo, 20 anos, que vai prestar vestibular para Letras. Mas, da lista, gostou mais de Memórias de Um Sargento de Milícias (Manuel Antônio de Almeida) em cuja narrativa segundo ela o autor revela os costumes dos subúrbios do Rio de Janeiro da metade do século passado.
Já o vestibulando de Direito, Cedenir José de Pellegrin, 22 anos, destaca o romance Vidas Secas de Graciliano Ramos. Esse é um livro que além de descrever a vida no sertão nordestino, nos ajuda muito na parte de Redação salienta. Da lista, foi o único título que leu de cabo a rabo. Quanto aos demais, contentou-se em folhear páginas e devorar os resumos.





