Foi Marcelo Paiva, com seu ''Feliz Ano Velho'', quem inaugurou a tendência nos anos 80. Depois dele, autobiografias precoces narrando peripécias juvenis movidas a sexo, drogas e rock explodiram no país nem sempre pontuadas por tragédias pessoais ou bem-sucedidas comercialmente como o modelo.
O jornalista e professor universitário paulista Glauco Cortez retoma a linhagem no livro ''Romance rock'' (Editora Sapo que Chia), que ele lança sábado em Londrina durante uma festa na Casa do Jornalista. Antes, revê amigos e faz palestras uma delas está marcada para hoje, a partir de 19 horas, no Centro de Comunicação e Artes (CECA) da UEL.
A UEL, aliás, é o núcleo em torno do qual giram todos os episódios contados no livro. Glauco é doutorando na Unicamp, professor de jornalismo impresso e rádio na Universidade São Judas Tadeu (SP) e repórter especial da Rede Anhanguera de Comunicação, responsável pelos jornais Correio Popular e Diário do Povo, ambos de Campinas.
No livro, ele reconstitui o período em que estudou em Londrina, vindo de São José do Rio Preto. Recapitula as paixões fugazes, o movimento estudantil, as festas, os acampamentos, as leituras, os personagens, o universo das repúblicas e as experiências com drogas.
''A oportunidade de fazer uma faculdade pública, conhecer pessoas diferentes, não ter de dar explicação a ninguém dos meus atos e ler livro apaixonantes, é tudo o que eu posso querer para a vida. A vivência da faculdade é um aprendizado e, mais que isso, poesia'' diz, à certa altura, seu alter ego Sebastião Brasvaville.
O autor mescla os relatos com reflexões sobre os sonhos políticos da juventude, relações sexuais e música pop. Também contextualiza as vivências nas conjunturas da época lembrando o movimento pelas Diretas, as greves operárias, a morte de Tancredo e a queda do comunismo no leste europeu. Tudo intercalado com poemas de sua autoria e letras da geração-80 do rock nacional.
Bandas e artistas como Titãs, Legião Urbana, Barão Vermelho, RPM e Lobão concorrem em citações com os personagens que vão aparecendo ao longo das páginas. ''A proliferação do rock nacional traz letras críticas contra a sociedade, a polícia, a política, a cultura, a mediocridade humana. Elas se encaixam perfeitamente em nossa visão sobre a universidade e a política. Parece que vivemos um movimento único, em que as idéias dos poetas do rock e nossas se encaixam para entender o quebra-cabeça da sociedade brasileira'' escreve numa passagem.
No final do volume, com um certo desencanto, Glauco parece acatar o provérbio cínico que diz que somos incendiários na juventude e bombeiros na maturidade. Lembra de ''Lenine'', um de seus colegas de turma e militante do PCB: ''Por força do destino e das circunstâncias é hoje executivo de uma grande indústria e mora em um dos condomínios mais caros de São Paulo''. Da mesma forma, anota na última página as trajetórias dos amigos mais próximos, todos ocultos sob pseudônimos.
No sábado, durante o lançamento na Casa do Jornalista, a diversão vai ser comentar os trechos picantes com os protagonistas presentes. A sessão de autógrafos, seguida de festa, começa às 21 horas.

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