Literatura infantil é destaque na Bienal
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de abril de 2002
Karla Dunder Agência Estado 
São Paulo - A literatura infantil é um filão sempre bem explorado pelas editoras que, nesta edição da Bienal, investem na variedade de lançamentos. Uma injeção de ânimo no mercado que em 2001 apresentou uma queda de 16% no número de títulos lançados e 21% em exemplares produzidos, em relação a 2000. A aposta para atrair o público mirim está nos grandes autores como Ziraldo, Ana Maria Machado, Flávio de Souza, Eva Funari, Pedro Bandeira, Drauzio Varella entre outras figuras de destaque.
Ziraldo faz a festa: O Segredo de Mãe Docelina, publicado pela Moderna, apresenta a maior quituteira da região da Mata do Fundão, uma mulher hábil, que domina a culinária e os mistérios do tempo. Também do autor mineiro chega às mãos dos leitores, pela Melhoramentos, Menina Nina - Duas Razões para não Chorar, um livro que fala sobre a difícil arte de viver, e O Livro de Receitas do Menino Maluquinho com as Receitas da Tia Emma, uma prova de que a cozinha também é um lugar para crianças.
A Banguelinha (Moderna) é um conto de fadas urbano que se passa em um edifício de cinco andares. Trata-se de uma história fantástica, com direito a aparição de anjos e animais, assinada por Angela Lago, que ainda lança, pela Companhia das Letrinhas, Sete Histórias para Sacudir o Esqueleto.
Ana Maria Machado ensina os adultos a necessidade de respeitar o mundo mágico do faz-de-conta que povoa a imaginação infantil em Um Dia de Chuva (Moderna). Já em O Canto da Praça (Ática), a escritora incentiva a paz, um assunto muito atual.
O destaque à atualidade ainda pode ser percebido em Mohamed - O Menino e a Guerra (FTD), de Fernando Vaz. O autor faz uma viagem pelo Afeganistão e narra a vida e costumes dos meninos nesse país.
Temas universais, que podem ser tratados no cotidiano das escolas, como justiça e solidariedade, compõem a coleção Bobos da Corte, da editora Moderna. Eva Furnari escreve sobre ética com muito humor e descontração. A autora utiliza o cenário dos contos de fadas para discutir de maneira simbólica, sem reducionismo, esses assuntos.
Autores de gente grande também marcam presença nesta Bienal escrevendo para o público infantil. Drauzio Varella descreve a experiência de um garoto que vive no bairro do Brás, em São Paulo, e passa férias na fazenda em De Braços para o Alto (Companhia das Letrinhas).
Os Encontros de um Caracol Aventureiro (Ática), do poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca, reúne poemas selecionados por José Paulo Paes. As obras são acessíveis às crianças e as ilustrações de Odilon Moraes tornam-se um atrativo a mais para os leitores, que ainda têm uma supresa: o texto da peça de teatro Cena do Tenente-Coronel da Guarda Civil.
O jornalista Gilberto Dimenstein conta a história de Renato Paulo, o Rep, um garoto criativo que gostava de misturar objetos com comida, brinquedo com doces, tudo o que vê pela frente para criar coisas novas e diferentes em O Mundo de Rep (Melhoramentos). E Ferreira Gullar, que concorre ao Prêmio Jabuti com O Menino e o Arco-Íris (Ática), também é uma boa dica.
História Gáticas (FTD) apresenta o mundo dos gatos criado pelo antropólogo Darcy Ribeiro. O gato Oracy Félix conta aos leitores casos curiosos sobre o Largo da Lataria. As ilustrações levam a assinatura de Patricia Gwinner.
Lendas e causos da Amazônia foram coletados por educadores coordenados pela professora de literatura infantil da Universidade do Estado do Pará Denyse Cantuária. As histórias vieram da memória dos habitantes de vilas e povoados próximos às margens do Rio Moju. Transcrevemos o material que foi gravado em fitas cassetes e encaminhamos para escritores fazerem uma releitura das lendas, explica Denyse. A proposta é divulgar o folclore e a cultura da região, aspectos pouco conhecidos no Brasil. Assim nasceu Histórias do Rio Moju, uma coleção composta por seis volumes, que será lançada no dia 3, no stand da FTD. O jornalista Denis Maués também assina a coordenação.


