Literatura em película
O ciclo Cinema e Adaptação Literária reúne bons atores e diretores em filmes feitos a partir de livros e peças teatrais de ótimos escritoresLITERATURA EM PELÍCULA
Começa hoje no Museu da Imagem e do Som um ciclo sobre Cinema e Adapatação Literária com grandes filmes saídos de grandes livros
Elisa Marilia Carneiro
A coordenação de vídeo do Museu da Imagem e do Som (MIS), em Curitiba, selecionou cinco filmes, entre os clássicos mais bem adaptados para o cinema, para a mostra Cinema e Adaptação Literária. De hoje até sexta-feira, sempre às 19 horas e com entrada franca, o MIS apresenta esses filmes inspirados em obras literárias e que foram levados à tela com sucesso.
São filmes pouco vistos por não serem comerciais, mas de excelente qualidade, afirma o coordenador de vídeo do MIS, Tiomkim. Ele diz que, dificilmente esses filmes podem ser encontrados nas locadoras de vídeo, apenas nas maiores há alguns títulos dos melhores clássicos.
O cartaz de estréia, hoje, é Os Inocentes (1961). Sob direção de Jack Clayton, com roteiro de Truman Capote, o filme reinterpreta o romance A Outra Volta do Parafuso, de Henry James. Oportunidade para conferir o excelente desempenho de Deborah Kerr nesse trabalho.
Amanhã, tem Infâmia (1961), de William Wyller, cujo roteiro baseou-se na peça de Lilian Helmann, The Childrens Hour. Uma curiosidade é o interesse de Wyller pela obra. Vinte o cinco anos antes, ou seja, em 1936, ele fizera uma primeira adaptação para a tela, mas teve de alterar o roteiro.
No texto original uma aluna acusa duas professoras de manterem um caso lesbiano. Na primeira edição, da década de 30, o filme foi podado pela censura hollywoodiana. Posteriormente, na década de 60, o mesmo filme mostra um triângulo amoroso clássico, evitando a questão do homossexualismo, para não ferir a moral vigente. Na última versão, que o MIS exibe agora, os dramas acontecem fielmente como estão na peça.
Uma das atrizes de Infâmia, Fay Banter, foi indicada para o Oscar de melhor atriz coadjuvante. O elenco conta ainda com Audrey Hepburn, Shirley McLaine e Mirian Hopkins.
Um Lugar ao Sol (1951), dirigido por George Stevens, numa adaptação de Uma Tragédia Americana, de Theorodo Dreiser, foi a sensação da época. Indicado para vários Oscar, levou a estatueta de melhor diretor para Stevens, melhor roteiro adaptado para Michael Wilson e Harry Brown, melhor fotografia para Willian Mellor. E melhor trilha sonora para Franz Waxman. No elenco estão Elizabeth Taylor, Montgomery Clift e Shelley Winters.
Na quinta-feira, o cartaz da noite será Os Miseráveis (1935), com direção de Richard Bolelawski, com roteiro adaptado do famoso romance homônio de victor Hugo. Esta é uma das melhores adaptações cinematográficas de um clássico que foi exaustivamente levado às telas, nas mais diversas montagens. A última é datada dos anos 90 e a primeira ocorreu em 1909, com Frederico March e Charles Laughton encabeçando o elenco.
Um Bonde Chamado Desejo (1951), adaptado da peça com o mesmo nome de Tennessee Williams, encerra a série Cinema e Adaptação Literária, na sexta-feira. Dirigido por Elia Kazan, tem um dado histórico imoprtante: foi esse o filme que lançou ao estrelado o ator Marlon Brando.
Quatro anos antes ele defendera o papel do truculento Stanley Kowalsky no teatro, e repetiu a dose no cinema, que o projetou para todo o mundo. Vivien Leigh, impecável no papel da frágil e carente Blanche Dubois, levou para casa, com esse trabalho, seu segundo Oscar de melhor atriz. Duelo de grandes interpretações.
Cinema e Adaptação Literária. De hoje a 27 de novembro, às 19 horas. No Museu da Imagem e do Som (Rua Barão do Rio Branco, 395). Entrada franca.





