O estande 314 do pavilhão verde pretende ser o oásis da Bienal do Livro do Rio, que começa na quinta-feira. Lá, no segundo maior estande da feira (perde apenas para o das editoras católicas e é ligeiramente maior que o das universitárias), o público vai desfrutar de uma área ajardinada e repleta de bancos para descanso. Aos poucos, vai perceber também que está em um local diferente - trata-se do espaço da Libre, a Liga Brasileira de Editores, entidade que reúne 66 editoras de porte médio e pequeno. Será a primeira vez que todas estarão juntas em uma bienal. ''Na verdade, por conta da Libre, será a primeira oportunidade em que 15 editoras vão participar da feira, o que representa um salto'', comenta Camila Perlingeiro, editora de Edições Pinakotheke e presidente da entidade.
A Libre surgiu em agosto de 2002, quando alguns profissionais perceberam que era comum seu descontentamento com as tradicionais Bienais do Livro, em que o aumento de eventos paralelos (como shows comandados por DJs e palhaços lotando os corredores) desviava a atenção dos visitantes. Também a grandiosidade do evento não permitia aos chamados pequenos e médios editores apresentar com folga seu catálogo, formado, muitas vezes, por títulos que fogem da rotina editorial.
Unidos, realizaram duas mostras no Rio e outra em São Paulo, a chamada Primavera de Livros, que, graças ao sucesso, comprovou o interesse do público. ''E agora, na bienal, consolidamos nossa posição destacada'', acredita Camila. Nos 828 metros quadrados do estande, a Libre contará com 55 expositores que vão promover o lançamento de cerca de cem títulos. A circulação do público, aliás, vai ser diferenciada do restante da bienal: as editoras decidiram não delimitar o espaço por baias, mas por estantes, identificadas pelo logotipo de cada um. ''A ausência de divisórias, além de não determinar uma única via de circulação entre as editoras, traz ainda o principal símbolo da força da Libre, que é a união.''
No centro do estande, haverá uma praça onde serão realizados eventos e lançamentos de autores como Ana Maria Machado, Lygia Bojunga Nunes e Leonardo Boff. Camila Perlingeiro reconhece que as atividades vão concorrer com o Salão Literário organizado pela bienal, mas, garante, não houve intenção de confronto. ''Nossa participação foi decidida no último minuto, quando praticamente toda as atividades já estavam definidas'', explica a editora. ''Nosso relacionamento com os organizadores, aliás, tem sido muito produtivo.''
Os participantes da Libre investiram um total de R$ 270 mil na organização do estande, preocupado em satisfazer seu público cativo. ''Nosso leitor é consumidor de livros especializados e isso nos permite sermos mais ousados'', conta Camila, lembrando também o respeito que a entidade já conquistou entre as grandes editoras - recentemente, recebeu telefonemas de representantes da Jorge Zahar Editores e da Objetiva.
O grande desafio do grupo é aumentar e não redividir os lucros promovidos
pela feira. ''Queremos dar uma mexida no bolo e aumentar nossa fatia. Já não é mais possível todas as editoras brigarem pela fatia'', conta Camila, que aponta a Bienal do Livro como a primeira de uma série de participações da Libre no mercado editorial. ''Já criamos diversas comissões de trabalho para atuar em diversas frentes.''

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