Com um estilo conciso e vigoroso, com fortes doses de ironia, Monteiro Lobato (1882-1948) é considerado o inventor e maior escritor da literatura infantojuvenil brasileira. Também foi de sua iniciativa a fundação da primeira editora brasileira, em 1918 - antes dele, todos os livros eram impressos em Portugal. E sua paixão pela literatura pode ser percebida na sua frase célebre ''Um país se faz com homens e livros''. Com o livro ''A Menina do Narizinho Arrebitado'', lançado em 1920, Lobato deu início à uma série de publicações que encantam até hoje milhares de crianças.
Ontem, data do seu nascimento - 18 de abril -, Lobato foi mais uma vez homenageado no Dia do Livro Infantil. Na Livrarias Porto, o Projeto Folha Cidadania, desta FOLHA, promoveu o ''Conto da Hora'', com histórias do escritor, para 300 crianças de escolas públicas de Londrina, Rolândia e Cambé. Na Escola Ceca, as atividades da semana retrasada foram todas dedicadas ao escritor e abrangeram pesquisas, contação de histórias, teatro, confecção de personagens feitos com sucatas e até aula de culinária para aprender a fazer os famosos ''bolinhos de chuva'' da Tia Nastácia.
A diretora Cristina Pietrobom destaca que um dos aspectos mais importantes da obra de Lobato é o resgate das raízes folclóricas brasileiras. ''É um material bastante rico, principalmente para a maioria das crianças que não têm contato com o meio rural. É um clássico da nossa literatura que as escolas não podem deixar de trabalhar'', afirma.
Da educação infantil até o ensino fundamental 2, os alunos tiveram a oportunidade de aprofundar o conhecimento sobre o escritor, que é também bastante conhecido pelo seu posicionamento nacionalista e crítico. ''Com os alunos maiores, o trabalho envolveu até questões relacionadas à descoberta do petróleo no Brasil, ideia da qual Lobato foi grande defensor, chegando a ser preso por isso'', acrescentou Cristina.
Além dos personagens ligados à cultura brasileira, recuperando inclusive costumes da roça e lendas do folclore, Monteiro Lobato conseguia incluir nos seus enredos personagens da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema. Ele também foi pioneiro da literatura paradidática, ensinando história, geografia e matemática de forma divertida.
O aluno Luiz Gonzaga Lacerda de Athayde Neto, 12 anos, que interpretou o Visconde de Sabugosa no teatro organizado pela escola, conta que chegou a ler 17 livros do autor. ''Ele tem um vocabulário culto e o bom é que as crianças vão aprendendo isso desde cedo'', aponta. Sobre o teatro, ele acredita que é uma forma lúdica de chamar a atenção para esse tipo de leitura.
Beatriz da Costa Prado, 11 anos, foi o Marquês de Rabicó na encenação. Ela lembra que sempre gostou dos livros de Monteiro Lobato e que tem a coleção quase completa. Já Fernanda Carneiro, 12 anos, - a Emília da história - comenta que acha o estilo de Lobato ''um pouco complicado'' e define a sua personagem como ''divertida e maluquinha''.
O aluno Yago Fabrício Moura, 12 anos, que deu vida à Monteiro Lobato, confessa que nunca tinha lido nada sobre o escritor, mas que fez uma pesquisa intensa sobre ele para o teatro. ''Pelo que estudei, acredito que ele era uma pessoa muito corajosa; não era tímido como eu. Fiquei impressionado com a sua aparência física por causa do bigode e das sobrancelhas'', destaca. E depois de ler alguns livros do escritor, Yago recomenda a leitura: ''Gostei. É bem interessante porque não fica em torno da questão do bem e do mal. É mais aventura e diversão''.
A programação da escola ainda incluiu, ontem, apresentação do teatro sobre Lobato na Escola Municipal Maria Irene Vicentini Theodoro e para crianças do Instituto Matteus Emanuel, do Jardim Santa Fé, que passaram a tarde com os alunos da Escola Ceca e receberam de lembrança mini personagens do Sítio do Picapau Amarelo feitos com sucatas.

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