LITERATURA - 'Transformismo' do palco para os livros
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terça-feira, 21 de junho de 2016
Leandro Nunes<br>Agência Estado 
É possível encontrar no fim do século 19 uma das figuras que abre o caminho para o travestismo no Brasil. Aliás, essa manifestação tão característica da vida brasileira passa pelo transformista Darwin - que se apresentava no Cine S. Paulo - e alcança, mais anteriormente, o próprio teatro, quando os atores masculinos se vestiam de personagens femininas porque as mulheres não eram autorizadas a subir ao palco. Essa perspectiva pode ser lida com detalhes na introdução feita pelo jornalista João Silvério Trevisan presente no livro "BR-Trans", de Silvero Pereira, que foi lançado esta semana, pela Editora Cobogó, no espaço carioca Casa Rio. No domingo, a peça estreou no Teatro Poeira.
Em São Paulo, a montagem esteve em cartaz no ano passado e retratou o drama vivido por travestis no Brasil. Para construir os relatos, o ator cearense passou seis meses dentro do presídio central de Porto Alegre, na ala destinada a gays e travestis. Foi entre ruas de prostituição e casas de show que Pereira teceu uma dramaturgia com título em alusão a BR-116, rodovia que faz ligação entre a capital do Ceará e a cidade de Jaguarão, no Rio Grande do Sul. A força dramática de Silvero no palco rendeu indicações para os prêmios APTR (Associação de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro) por sua atuação e dramaturgia, entre outras premiações. Em 2015, a montagem foi eleita pelo Estado e O Globo uma das 10 melhores peças de teatro do ano. "O monólogo do Silvero é atravessado de outras vozes e apropriações, ele se reveste de todas essas dores e alegrias no palco", diz Isabel Diegues, editora que organiza a coleção.
A obra completa o 34º lançamento da coleção dramaturgia contemporânea da Cobogó, que, desde 2012, passou a acompanhar a produção dramatúrgica brasileira e estrangeira para o palco. Com tiragens que giram em torno de 1 mil e 1,5 mil números para cada título, a coleção já soma mais de 34 mil livros distribuídos por Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Brasília, Fortaleza e Recife. Ela conta que o objetivo foi tentar apreender a rapidez com que os autores vinham criando suas dramaturgias. "O texto dramático é bastante caro quando percebemos a força de sua oralidade e as questões que esses autores desejam tratar e como tratam", diz. Nesse caso, a palavra "autores" é mais adequada que dramaturgos porque alcança a diversidade dos artistas do palco, como ocorreu no Rio, lembra Isabel.
Para encerrar 2016, a Cobogó ainda prevê a publicação dos textos "projeto brasil" e "Maré", ambos do diretor Márcio Abreu. O primeiro estreou recentemente no Sesc Belenzinho e é recém-chegada de uma temporada na Alemanha, além de cidades brasileiras. A peça é resultado de viagens que a companhia brasileira de teatro fez pelo País. No segundo texto, Abreu se inspirou na chacina policial ocorrida no complexo da Maré. A peça integra o projeto "Real: Teatro de Revista Política", da companhia mineira Espanca!.
BR-TRANS
Autor: Silvero Pereira
Editora: Cobogó
Páginas: 72
Quanto: R$ 30 em média


