''Nunca vi uma grande idéia nascer num debate, mas vi muitas idéias ruins morrerem lá''. A citação do escritor Scott Fitzgerald poderia ser emprestada para convocar o público às diversas mesas-redondas incluídas na programação do 1º Londrix Festival Literário de Londrina.
O Festival começou ontem e termina amanhã com uma série de atividades na Biblioteca Pública e no Teatro Zaqueu de Melo. Inclui palestras, oficinas, shows, espetáculo teatral, lançamentos, espaço para crianças e feira de livros e CDs. É o bloco de debates, porém, que desponta como o carro-chefe desta maratona de letras.
O ciclo inaugurado ontem com a discussão em torno das políticas públicas para a literatura, prossegue hoje com três assuntos sabiamente escolhidos pelos curadores: ''Literatura Infantil Hoje: Fenômeno de Mercado ou Necessidade de Leitura?'', ''Espaços Possíveis: blogs, zines, revistas e outras mídias'' e ''Literatura nas Margens''.
O primeiro debate começa às 10 horas abordando pontos como as melhores maneiras de incentivar a leitura na infância, a importância da leitura no universo infantil; e os efeitos da transformação da literatura do gênero em filão caça-níquel. O carioca Gian Calvi será um dos expositores ao lado do paulistano Patrício Duganani. Calvi é ilustrador e especialista em Comunicação para o Desenvolvimento Social.
Já Patrício é escritor, ilustrador e autor dos livros ''Lobos e Ovelhas'', ''Beleléu'' (ambos dirigidos para o segmento infantil) e ''Livro dos Labirintos'' (coletânea de contos fantásticos inspirados nas obras de Frank Kafka e Jorge Luis Borges). Além deles, participam da mesa as londrinenses Sueli Bortolin e Rosane Pamplona.
A primeira é Diretora do Sistema de Bibliotecas da UEL, professora do Departamento de Ciência da Informação da UEL e colunista do site www.ofaj.com.br onde escreve mensalmente sobre literatura infanto-juvenil. Já Rosane é professora de Língua Portuguesa, contadora de histórias e autora dos livros ''Novas Histórias Antigas'' e ''Outras Novas Histórias Antigas''. O debate será mediado pela londrinense Neuza Ciciliato, Doutora em Letras e professora da UEL.
O segundo debate do dia vai trazer reflexões sobre as potencialidades das novas mídias para veicular literatura. Está previsto para às 14 horas. O tema deverá atrair jovens já que trata de blogues, sites, fanzines, rádios-livres, revistas e outros meios de comunicação não convencionais. Com mediação de Rogério Galindo, a mesa será composta por Daniel Pellizzari, Claudio Daniel, Márcio Renato dos Santos e Paulo Lima.
Pellizzari nasceu em Manaus (AM), mas aos dez anos de idade mudou-se para Porto Alegre (RS). Foi um dos primeiros autores a explorar a Internet como meio de criação e divulgação. É um dos criadores da editora Livros do Mal e autor dos livros de contos ''Ovelhas que voam se perdem no Céu'' (2001) e ''O Livro das Cousas que Acontecem'' (2002). Recentemente publicou o romance ''Dedo Negro com Unha''.
O paulistano Claudio Daniel é poeta, tradutor, ensaísta e jornalista. É um dos editores da revista eletrônica Zunái e autor dos livros ''A Sombra do Leopardo'' (vencedor do Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, promovido pela revista Cult). O carioca Paulo Lima, por sua vez, comanda a Luzes da Cidade, gravadora responsável pelo lançamento de dezenas de CDs de poesia e prosa oralizadas incluindo títulos de Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.
Já o curitibano Márcio Renato dos Santos é escritor, editor e colaborador do jornal literário Rascunho e da revista literária Etcetera. Fechando a jornada de reflexões, o debate ''Literatura nas Margens'' começa às 16 horas com as presenças de Chacal, Douglas Diegues, Joca Reiners Terron, Marcelo Montenegro e Thadeu Wojciechwoski. A mediação será de Cassiano Ellek, jornalista da Folha de S.Paulo.
Para iniciar a conversa, os participantes enfrentarão a questão: ''O que é, afinal de contas, literatura marginal: a literatura produzida por autores que vivem à margem da sociedade ou é a literatura que não faz parte da indústria das grandes editoras?''. O carioca Chacal, hoje com 54 anos, foi um dos escalados para respondê-la. Expoente da chamada ''poesia marginal'' da década de 70, é uma das figuras mais aguardadas nesta primavera de letras.
Comanda o Centro de Experimentação Poética (CEP 2000), que há 15 anos promove performances e recitais poéticos no Rio de Janeiro. Foi editor da revista Carioca e é autor de livros como ''Drops de Abril'', ''Letra Elétrika'' e ''A Vida é Curta Para Ser Pequena''. O paulistano Joca Reiners Terron, por sua vez, é um dos nomes mais citados em textos que abordam a nova geração de escritores.
Assim como Pellizzari e Ademir Assunção (que faz show amanhã no Londrix), foi elencado na badalada antologia ''Geração 90 Os Transgressores'', organizada por Nelson de Oliveira e publicada em 2003. É poeta, romancista e designer gráfico. É autor dos livros ''Eletroencefalodrama'', ''Animal Anônimo'', ''Hotel Hell'', ''Curva de Rio Sujo'' e ''Não Há Nada Lá''. Já o poeta Douglas Diegues vem de Ponta Porã (MS).
É editor da revista literária ''Ontem Choveu no Futuro'', criador do blogue ''Portunhol Selvagem'', autor do livro ''Dá Gusto Andar Desnudo por Estas Selvas'' e tradutor de textos indígenas. De São Caetano do Sul vem o poeta Marcelo Montenegro, editor do fanzine ''Ruptura'', autor dos livros ''De Soslaio'' e ''Orfanato Portátil'' e integrante do grupo de teatro Cemitério de Automóveis.
E de Curitiba vem Thadeu Wojciechowski, que completa a mesa trazendo um currículo de 20 livros publicados entre eles ''Pérolas aos Poukos'', ''Assim até Eu'' e ''Feiticeiro Inventor''. Calma que não acabou. Mais debates estão programados para amanhã, no dia de encerramento do Londrix.

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