LITERATURA - Todas as palavras de JORGE
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de setembro de 2007
Pedro Henrique França<br> Agência Estado 
A Companhia das Letras venceu a disputa entre outras oito editoras e publicará em 2008 a obra completa do escritor baiano Jorge Amado. O mercado editorial realizou a negociação em março deste ano e, além da Cia. das Letras, envolveu outras grandes na disputa: Record, Ediouro, Rocco, José Olympio, Objetiva, Globo, Nova Fronteira e LPM. Os valores da negociação não são revelados.
A obra de Jorge Amado envolve 32 títulos, no total, entre grandes sucessos como ''Capitães de Areia'', ''Tieta do Agreste'' e ''Gabriela, Cravo e Canela'', e pertencia até então à editora Record. A mudança faz parte dos planos da família de trabalhar uma nova estratégia para divulgação dos livros do escritor, que, se ainda estivesse vivo, completaria cem anos em 2012.
As negociações se iniciaram em março, quando a família de Jorge Amado enviou carta-proposta às editoras, anunciando que buscava uma nova linha editorial. A intenção, diz o filho de Jorge Amado, não era obrigatoriamente mudar de editora, mas sim de proposta. ''Tanto que a Record também foi convidada'', explica João Jorge Amado.
Os planos da família, segundo ele, era popularizar ainda mais sua obra. ''Embora seja notório que a obra de Jorge Amado pertence ao imaginário popular, sabemos que tem muita gente que não conhece'', diz. E emenda: ''Por exemplo, se você vê uma mulher com dois homens na rua é comum falar: 'Ah, a Dona Flor e Seus Dois Maridos'. Mas muita gente que pensava isso não necessariamente conhecia a obra. E era esse público que a gente queria atingir''.
A escolha pela Companhia das Letras, afirma João Jorge, se deu pelo conjunto da proposta que eles ofereceram. ''A gente queria uma nova proposta editorial'', conta o filho do escritor. ''E de todas as propostas, a que mais nos agradou foi o da Companhia'', complementa. Ele conta ainda que houve aspectos financeiros nos trâmites da negociação, mas que essa não foi a força maior para a escolha pela Companhia. ''Estabelecemos parâmetros de ordem financeira na negociação. Houve propostas maiores e menores, mas isso não foi o ponto mais importante'', enfatiza João Jorge.
Segundo o editor da Companhia das Letras, Luiz Schwarcz, houve um trabalho intenso da equipe para o desenvolvimento da proposta, que acabou sendo a vencedora. O trabalho editorial foi coordenado pelos professores Lilia Moritz Schwarcz e Alberto da Costa, além dos editores Luiz Schwarcz e Thyago Nogueira. O projeto envolveu parceiros como Sesc, a gravadora Biscoito Fino, a agência publicitária AlmapBBDO e a Fundação Roberto Marinho. ''Nos disseram que nos escolheram pelo projeto editorial. Pela informação que a gente teve, nossa proposta não venceu pelo aspecto financeiro'', frisou o editor da Companhia das Letras.
Luiz Schwarcz adiantou que a partir do primeiro semestre de 2008 serão lançados edições especiais dos 32 títulos de Jorge Amado, que incluem edições de luxo e de bolso. Mas há a perspectiva de ser lançado novidades do mercado. ''Há perspectiva de outros títulos, de obras que não foram publicadas'', explica o editor. Entre eles, estão uma coletânea de artigos inéditos dele e, para o final do ano que vem, uma obra sobre o Jorge Amado, ''com vários ensaístas'', conforme antecipou Schwarcz.
A estréia começa no início do ano que vem. ''Em princípio, começamos com 'Capitães da Areia', 'Mar Morto', 'Dona Flor e Seus Dois Maridos', 'Bola e o Goleiro' (obra infantil) e uma compilação de artigos de Jorge Amado'', anuncia Schwarcz, que diz estar realizando ''um sonho''.


