LITERATURA - Reconta a história da resistência no Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de agosto de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A história do ex-sargento do Exército, que atualmente mora em Londrina, Amadeu Felipe da Luz Ferreira, foi contada num livro já lançado em Curitiba. O livro ''Caparaó - A primeira guerrilha contra a ditadura'', do jornalista capixaba José Caldas da Costa, remonta a história de resistência de sargentos das Forças Armadas Brasileiras (FAB) que se rebelaram contra a ditadura militar e tentaram reestabelecer a democracia.
Ferreira foi o comandante da guerrilha e foi localizado pelo obstinado jornalista que queria descobrir o que havia visto na infância. ''A minha história de jornalista começou em 1967, quando eu tinha sete anos. Eu morava em Alegre (ES), numa região montanhosa chamada de Pico da Bandeira. Ali nasceu o repórter. Eu segurava a mão de minha mãe quando saíamos da roça para a cidade e vi as tropas passando por mim. Sabia que era algo importante'', relatou Caldas.
Foram anos de procura de relatos sobre o que havia acontecido naquele local. Ninguém sabia contar - nem os movimentos de esquerda, nem os movimentos da direita. Em 1998, em Curitiba, ele descobriu o primeiro relato que poderia indicar fontes para a descoberta. O livro ''A Repressão no Paraná'' fazia menção do sargento Amadeu Felipe e sua luta pela resistência.
Na época, Amadeu Felipe já morava em Londrina e tinha trabalhado no governo José Richa. ''Procurei encontrá-lo e o achei na Rua João Cândido, em Londrina. Uma lucidez fantástica, uma memória extraordinária. Ele me deu as dicas de todos que poderia conversar para fazer o trabalho. Visitei dez estados, gravei 100 horas de entrevistas e falei com mais de 20 pessoas'', contou.
A história já virou um documentário que chegou a ganhar prêmios no ''Festival É tudo Verdade'' e no ''Festival de Cinema do Rio de Janeiro''. ''Caparaó sai agora da geografia e entra para a história'', disse o jornalista.
Até o fim de setembro, o livro será lançado em Londrina - a pedido de Amadeu Felipe. ''Os sargentos resistentes amavam muito o Brasil. Eles entraram para as Forças Armadas porque defendiam o País. Eram nacionalistas. Por isso é que eles resolveram resistir armados'', relatou.
A história da guerrilha começa em 1954, com o suicídio de Getúlio Vargas (um dos guardas foi guerrilheiro em Caparaó).
Mas foi em 1961, na Cadeia da Legalidade comandada por Leonel Brizola para evitar o golpe militar e garantir a posse de João Goulart, que os sargentos se uniram e iniciaram a resistência. ''Tive que ler 50 livros para poder me contextualizar com a história falada por cada um dos sargentos entrevistados. A lição que ficou para mim é que a luta sempre vale a pena. Alguém precisa resistir. Graças ao sangue, a luta e o suor derramado naquela época é que conseguimos reestabelecer a democracia'', garantiu o jornalista.


