LITERATURA - Para ouvir e passar adiante
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Causos são sempre bom de contar e escutar. São aquelas histórias que caem como uma luva numa reunião familiar ou de amigos. Mas se algum dia dia faltar repertório, uma boa dica é decorar as crônicas contadas pelo escritor catarinese Werner Zotz no livro ''Histórias de Aprendiz'', recém-lançado pela editora catarinense Letras Brasileiras. Dividida em sete capítulos, a obra traz histórias lembradas, contadas por outras pessoas ou vividas por ele ao longo da sua experiência como jornalista, publicitário e escritor.
São casos como a dos passageiros de um trem com todos os vagões vazios e que insistiam em ocupar o último. A cada parada, mais passageiros entram para disputar o que julgavam ser o melhor espaço, sendo recebidos sempre com hostilidade por quem já lotava o espaço, enquanto o restante do trem continuava vago. Essa, que integra o capítulo ''Histórias Fundamentais'', foi contada ao autor pelo amigo Jakzam Kaiser, que a conheceu no curso de Antropologia.
Alguns exemplos de causos conhecidos pelo imaginário popular integram o capítulo ''Histórias Clássicas'' como a que reproduz a fábula atribuída a Esopo, sobre o escorpião e o sapo. O primeiro pediu carona ao segundo para atravessar o rio. O sapo bem que tentou declinar do convite, justificando que não queria ser picado. Mas o escorpião prometeu que isso não aconteceria, já que caso picasse o sapo, ambos morreriam afogados. No meio da travessia, o sapo sente a picada. O escorpião se justifica: ''desculpe, essa é a minha natureza''.
Outra clássica que integra o capítulo é a intitulada ''Esmola Diária'', que fala sobre o senhor que, ao sair de sua casa para trabalhar, a pé, como fazia todos os dias, se deparou com um mendigo pedindo esmola. Ele deu. E repetiu o feito nos dias seguintes, sempre com o mendigo esperando por ele. Mas num dia, o senhor esqueceu a carteira e não deu o dinheiro para o mendigo. Foi recebido com um sonoro palavrão e outras rabugices.
O livro traz ainda ''Histórias Fundamentais'', ''Exemplares'', ''De Gente Sábia'', ''Histórias da Política'', ''Curiosas'' e ''Perigosas''. Nesse último capítulo, uma contada pelo pai do autor merece destaque. Intitulada ''Meia Xícara de Café'', a história conta a saga de um rapaz chamado Heinrich em busca de uma noiva. Na década de 40, quando os namoros não eram assim tão simples, ele visitava a casa da família de futuras pretendentes e decidiu que se casaria apenas com aquela que a obedecesse. Nessa empreitada, tinha uma senha: pedia que as moças o servisse de apenas meia xícara de café. Nenhuma delas seguia a ordem, deixando sempre a xícara cheia.
Mas um belo dia, o moço encontrou sua cara metade. Aquela que o serviu apenas meia xícara, conforme o seu pedido. Depois de 25 anos de casado, quando foi comentar o que o fez optar pela pretendente, a surpresa. A atual mulher, disse bem se lembrar desse dia. Por descuido, serviu os pais primeiro e quando foi servir o rapaz, o café do bule estava acabando e só deu para servir meia xícara ao moço. Coisas da vida.
Werner Zotz já publicou mais de 20 livros, a maioria abordando a literatura infanto-juvenil. Seus livros já venderam mais de um milhão de exemplares. Na década de 80, conquistou o Prêmio Mirlos Blancos de Melhor Publicação Internacional do Ano para Jovens na Feira de Bolonha (Itália), concedido pela Unesco, pelo livro ''Rio Liberdade''. Na mesma época também recebeu o título de Melhor Publicação Latino Americana para jovens, com o livro ''Apenas um Curumim''. Entre mais de uma dezena de prêmios, destaca-se ainda o Selo Altamente Recomendável para Jovens da Fundação Nacional do Livro Infantil, recebido em 1985 e 2004.


