Uma nova geração de escritores vai, paulatinamente, ocupando seu posto nas vitrines. Com vinte ou trinta anos, seus principais expoentes abusam da Internet para divulgar seus textos, quase sempre narrativas confessionais recheadas de referências à cultura pop.
O gaúcho André Takeda é um deles. Radicado há três anos em São Paulo, onde trabalha como publicitário, ele estreou em 2001 com o romance ''Clube dos Corações Solitários'' (Conrad). Agora, retorna às prateleiras com ''Cassino Hotel'', contando a história de um trintão junkie que se envolve com uma cantora teen.
O livro inaugura a coleção ''Safra XXI'', criada pela editora carioca Rocco com a proposta de lançar jovens autores contemporâneos do Brasil e do exterior. Pelo selo, sairão títulos de nomes como Daniel Frazão, Dodô, Amanda Stern, Clay McLeod Chapman, Hannah Tinti, Dan Rhodes e Martin Page. Takeda levanta a tampa do pacote e chega hoje a Londrina para participar de um bate-papo e uma sessão de autógrafos, a partir de 19 horas, na Livraria Porto Megastore, no Catuaí Shopping Center. Confira alguns trechos da entrevista que André Takeda concedeu por telefone à Folha2.
Como foi sua iniciação literária? Seu primeiro livro, ''Clube dos Corações Solitários'', foi escrito originalmente em blog ou site?
Não, ele nasceu como um livro. Depois de pronto, decidi colocá-lo na Internet para download na revista literária eletrônica Txt Magazine, que criei para divulgar textos de novos autores. Três mês depois, a editora Conrad se mostrou interessada em publicá-lo.
Quando o livro saiu, a crítica usou a expressão ''literatura pop'' para defini-lo. Você se encaixa nesse rótulo?
Não sei se faço ou não literatura pop, mas acho que meus textos procuram retratar o mundo contemporâneo através de uma linguagem coloquial, acessível, que busca uma identidade com os leitores jovens usando referências de música, cinema e da própria literatura.
Quando você escreveu o livro, como era o panorama literário nacional voltado para essa temática?
Na época, havia pouca coisa de literatura jovem adulta. Os anos 90 foram parados nesse sentido. As editoras não olhavam para os novos autores. Já no exterior, essa tradição vinha de longe. O 'Apanhador no Campo de Centeio' (de J.D.Salinger) foi publicado na década de 50 e foi um dos livros que mais me influenciaram.
E hoje, como você analisa o mercado para essa vertente literária?
Com o advento da Internet, muitos autores tiveram a chance de divulgar seus trabalhos e acabaram chamando a atenção das editoras. Hoje em dia, muitos escritores novos estão sendo publicados e alguns até criaram suas próprias editoras para se auto-publicarem.
A crítica comparou o ''Clube dos Corações Solitários'' ao romance ''Alta Fidelidade'', do escritor inglês Nick Hornby. Você acha que os dois livros são semelhantes?
Há alguns elementos semelhantes. A música, por exemplo, tem uma importância muito grande na vida dos personagens dos dois livros. Além disso, no começo dos dois livros, os dois personagens acabaram de levar um fora de suas respectivas namoradas. Mas as realidades das duas narrativas são bem diferentes: o meu livro fala de um cara brasieiro, de classe média, de vinte e poucos anos; enquanto que o Hornby fala de um inglês vivendo uma crise na entrada dos 40 anos. De qualquer maneira, essa comparação nunca me incomodou.
Seu novo livro, ''Cassino Hotel'', fala do quê?
Ele conta a história de um personagem ligado em música que se envolve com uma cantora teen. É uma tentativa de dar um passo à frente, sem perder o público que ganhei com o 'Clube'. Na verdade, pensei em escrever uma ficção científica, mas desisti da idéia porque achei que seria uma ruptura muito grande. Acho que o 'Cassino Hotel' é mais adulto, mais melancólico em comparação com o primeiro livro, que tem muito de comédia.

Serviço:
- Lançamento de livro, bate-papo e sessão de autógrafos com o escritor André Takeda. Hoje,às 19 horas. Local: Livrarias Porto Megastore (Catuaí Shopping Center). Entrada franca.

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