Passados 40 anos, a rivalidade persiste. Os Rolling Stones acabam de soltar mais uma ''resposta'' aos Beatles, o livro ''According to The Rolling Stones'' (Chronicle Books), o equivalente ao volume ''Beatles Anthology'' a biografia dos Beatles por eles mesmos, lançada há três anos pela mesma Chronicle Books. O primeiro exemplar de ''According to The Rolling Stones'' a desembarcar nas livrarias importadoras brasileiras é uma edição preciosa. Mick, Keith, Charlie e Ron abriram suas gavetas e arquivos pessoais e oferecem fotos inéditas, depoimentos exclusivos, documentos e diversos ensaios que cobrem um período que vai dos anos 40 a agosto de 2003. Os ensaios são assinados por gente como Carl Hiaasen, Sheryl Crow, David Bailey, Tim Rice, entre outros.
A ''história oficial dos Rolling Stones'' é contada em 300 fotografias de profissionais como Anton Corbijn, Mario Testino, David Bailey, Jim Marshall e Val Kilmer. A estrutura do livro, em forma de entrevista contínua, distribuída em 12 capítulos, é exatamente a mesma do livro dos Beatles.
O fã dos Stones vai encontrar tudo, das questões mais espinhosas como a morte de Brian Jones e as grandes farras com drogas às pueris fotos em família dos integrantes do grupo. ''Os problemas de Brian não eram musicais. Havia algo nele que, se as coisas iam bem, ele deveria fazer algo para embaralhá-las. Eu conheço a sensação: há um demônio em mim também, mas eu só tenho capacidade de possuir um deles; Brian provavelmente tinha 45 demônios a mais'', diz Keith Richards.
Nenhum aspecto da carreira dos Stones é esquecido. Até mesmo o filho brasileiro de Mick Jagger, Lucas, com a apresentadora Luciana Gimenez, comparece nos álbuns familiares, numa foto solitária. Sua mãe, Luciana, não teve a mesma sorte, assim como outras mulheres não-oficiais.
Em fotos e texto, viaja-se para 1971, época em que os Stones mudaram para o Sul da França para escapar dos impostos ingleses. ''O período entre 1971 e 1972 foi ao mesmo tempo difícil e animado. Comprei uma casa mas vivia mais na casa de Keith do que na minha''. E o leitor torna-se testemunha da lua-de-mel de Jagger e Bianca Jagger em Veneza, naquele mesmo período.
Um inacreditável Mick Taylor (que foi guitarrista dos Stones logo que Brian Jones morreu, em 1969, e deixou a banda cinco anos depois) surge de cabelo black power, em foto de Pennie Smith. ''Mick começou a tocar muita guitarra. Ele toca a guitarra de um jeito estranho; toca sobre tudo, com uma batida parecida com a dos violonistas brasileiros'', diz Charlie Watts, sobre o colega Taylor, enquanto esse último explica como foi a composição de Brown Sugar.
O baterista Watts ainda faz referências elogiosas ao Brasil em outras partes do livro. ''Tenho um percussionista brasileiro em minha banda, e é maravilhoso. Você só diz: 'É algo mais ou menos como um samba ou algo assim', e ele toca. É fantástico''.
Ron Wood é tratado como uma das raras unanimidades no grupo. Não protagonizou grandes brigas, não fala mal de ninguém e todo mundo gosta dele. Ele lembra que, quando entrou no grupo, em 1975, foi porque ''não havia futuro no Faces (sua banda anterior)'', e se porta quase como um eleito dos céus com a escolha para o grupo. Ele lembra que seu pai, Archie, veio para o show em Wembley, em 1982, de cadeira de rodas e, orgulhoso, só apresentava o filho da seguinte maneira: ''Esse é meu garoto, Ronnie Wood dos Rolling Stones!''.
Há, como não poderia deixar de ser, algumas ausências bem notadas. É o caso das contribuições possíveis de Bill Wyman, o baixista que deixou a banda nos anos 90 e escreveu sua própria versão dos fatos, Rolling with the Stones. Nessa versão ''definitiva'' de sua história, os Stones esquecem - e até alfinetam um pouquinho - o ex-parceiro.

Serviço:
- ''According to The Rolling Stones'' - Chronicle Books. Importação Livraria Cultura. Av. Paulista, 2.073, em São Paulo (SP). R$ 162. Mais informações pelo telefone. (11 3170-4033. Site www.livrariacultura.com.br.

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