Em 2005, o escritor turco Orhan Pamuk foi um dos principais convidados da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e, dias antes de chegar à cidade histórica, soube que conversaria quase que sozinho com o público - o espanhol Juan Goytisolo anunciou que não poderia vir e ele foi um dos poucos autores a participar da sequência de mesas intitulada ''Mar de Histórias'', em que cada um revelaria como determinada obra tivera uma participação decisiva no processo de criação.
Pamuk comentou a inspiração nas narrativas de ''As Mil e Uma Noites'', na segunda palestra da série. Mostrando o nervosismo diante da platéia, o escritor turco leu diversos trechos da obra e afirmou que os 16 volumes, apesar das tintas obscenas, são considerados clássicos da literatura oriental e, por isso, não são atacadas pelo Islã.
Ele também tratou de um assunto que domina a obra, as relações entre o Oriente e o Ocidente, para enfatizar a influência da mulher na cultura árabe.
Apesar da profusão de informações, o tom didático desgastou, ligeiramente, o público que, mesmo assim, acompanhou com atenção a comparação que fez entre ''As Mil e Uma Noites'' com outras obras consideradas clássicas, como ''Os Irmãos Karamazov'', de Dostoievski.
Então pouco conhecido no Brasil (ele passeava sem sofrer assédio pelo irregular calçamento de Paraty), Pamuk conseguiu desfrutar com tranquilidade das opções da Flip, uma vez que a atenção estava concentrada na presença do indiano Salman Rushdie.
O escritor turco, porém, figurava num grupo de autores cuja obra, embora não perseguida pela fatwa (condenação de morte) como aconteceu com Rushdie, caracteriza-se, principalmente, por temas contra a intolerância religiosa e política. Assim, tornou-se comum vê-lo ao lado de colegas de ofício, como a argentina Beatriz Sarlo e o português Pedro Rosa Mendes.

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