A data exata não é conhecida mas foi entre setembro e outubro de 1956 que as livrarias receberam a primeira edição do romance ''O Encontro Marcado'', de Fernando Sabino (1923-2004). Retrato das inquietações que marcam qualquer juventude, independentemente de sexo, cor ou religião, o livro tornou-se um marco do desassossego daqueles que estão para entrar na vida adulta.
Para comemorar os 50 anos da primeira impressão, a editora Record lançou a 82 edição da obra com motivos de festa: além de um selo comemorativo, o livro traz um encarte com fotos separadas pela família. A explicação para um sucesso tão duradouro é a comunicação imediata que a história estabelece com o leitor ao apresentar o retrato impecável de uma geração, escrito com uma rara entrega do autor.
''O Encontro Marcado'' revela as inquietações de Eduardo Marciano que, como Sabino, foi nadador e decide ser escritor. O título se justifica ao tratar da amizade de três adolescentes que se despedem, ao término do curso ginasial, assumindo o compromisso de se encontrarem, 15 anos mais tarde, no mesmo lugar. Só Marciano comparece. Rebelde, depressivo, ele desafia as instituições, renega o mundo burguês e acaba perdendo tudo o que a vida lhe dá.
Gradativamente, ele se afasta das pessoas, desfazendo-se do apartamento em que vivia, do emprego e até dos livros. Na última página do livro, Eduardo Marciano se encontra com Eugênio, que era um dos três e virou frei, e relembra o pacto frustrado. O religioso não se lembrara. Eduardo calou-se. ''Não tinha importância também o que lhe aconteceria depois.''
Diversas interpretações cristãs foram atribuídas ao livro, especialmente por pensadores como Gustavo Corção e Tristão de Athayde. A importância da alma, de fato, está presente, mas ''O Encontro Marcado'' trata diretamente da luta pela vida. Narrado de forma direta, seca, crua até, o livro baseia-se em experiências materiais.
A fragilidade imposta pelo destino é atração irresistível do romance de Sabino que, ao contrário de seu protagonista, alimentou uma duradoura amizade com outros amigos ilustres como Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino e Otto Lara Rezende, formando o grupo Os Quatro Mineiros do Apocalipse.

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