Entre a música e a literatura, a guitarra e os livros, Tony Bellotto dedica seu tempo aos ensaios com o grupo Titãs, que fará uma turnê ainda neste ano com os Paralamas do Sucesso. Mas tem tempo, ainda, para lançar sua mais nova obra, ''Os Insones'' (Companhia das Letras). Após dar um tempo ao detetive Bellini, herói de três de seus seis livros, escreveu uma trama passada nos morros do Rio de Janeiro. ''A idéia de escrever o livro surgiu há três anos. Moro no Rio, tenho filhos pequenos, toda hora tem tiroteio. Vivemos nessa situação insegura, com um abismo social muito grande. Toda essa realidade me inspirou a escrever 'Os Insones'.''
Todos estão sujeitos, no livro, a uma brutal ansiedade, a começar pelo pai apavorado com o sumiço da filha Sofia até o aparentemente sereno jovem Samora, decidido a mudar o mundo na marra, passando por traficantes encurralados, agentes infiltrados e policiais vivendo sob tensão constante.
A trama gira em torno de cinco personagens principais que se cruzam ao longo da história. Sofia é branca, mora em Ipanema e está desaparecida. Seu irmão Felipe coleciona armas escondido dos pais. Mara Maluca é meio mulata, meio índia, mora na favela e é capaz de muitas atrocidades. Chayene pinta as unhas de vermelho e quer ser atriz. Samora é negro, mora no Leblon e tem um idealismo político quase que ingênuo. São todos muito jovens e têm muita urgência.
''Como o próprio título do livro sugere, os personagens têm dificuldade de dormir, muita ansiedade, angústia, alerta'', diz o guitarrista-escritor. E completa: ''Cada figura é uma mistura de várias coisas: do meu imaginário, de pessoas reais e até de mim mesmo. A história foi se desenvolvendo aos poucos, de acordo com o que eu vejo no dia-a-dia e nas notícias dos jornais.''
Sobre o final da obra, faz suspense. ''É um livro que vai despertando a curiosidade do leitor. Não posso contar para não perder a graça, mas na vida nem sempre tudo tem um bom final.''
O gosto pela literatura não vem de hoje. ''Quando eu era criança eu tinha o sonho de ser guitarrista e ao mesmo tempo escritor, mas só com 30 anos eu comecei a escrever. Foi algo que veio de repente.''
No momento, Bellotto não pretende pensar em outro livro, está sem tempo, já que tem ensaiado bastante os Titãs.

mockup