LITERATURA - Dois 'Nobel' são destaques da Flip
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quinta-feira, 05 de julho de 2007
Sylvia Colombo<br> Folhapress 
Paraty - Os dois prêmios Nobel da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que começou na quarta-feira, vêm do mesmo país, a África do Sul. O universo literário de cada um, no entanto, é bem diferente. Enquanto a literatura de J.M. Coetzee é mais sutil, refinada e universal, a de Nadine Gordimer é mais militante.
''Nós dois tentamos escrever o pouco que podemos perceber da verdade de nossos países, mas o fazemos de um modo diferente'', disse Gordimer. A escritora levou o prêmio em 1991, pelo conjunto de suas obras, que têm temas como o apartheid, e os direitos humanos.
Gordimer diz acreditar que, quanto maior for a demanda das pessoas por informações, mais importante será o papel dos livros. ''A contribuição que nós, escritores, temos para dar é a de tornar visíveis as verdadeiras tragédias que acontecem logo depois das que vemos pela televisão'', diz.
Elegante, vestindo uma bata indiana, e de gestos muito delicados, Nadine Gordimer caminha por Paraty em busca de sombras e elogia a cidade, mas faz um alerta. ''Espero que a população daqui fique atenta para que não abram, no centro histórico, lojas do McDonald's e de outras dessas cadeias que fazem o mundo ficar tão parecido hoje em dia.''
Gordimer se apresenta hoje ao lado do escritor israelense Amós Oz. Ambos lerão trechos de seus livros recentes, mas a conversa deve mesmo pender para temas políticos.


