LITERATURA - Dama literária revisita seu passado
Ela não se preocupa em definir o limite que separa a realidade da ficção em seus escritos, fatos verdadeiros são recontados ao sabor da imaginação, resultando em textos que almejam a perfeição estilística ao mesmo tempo em que obriga o leitor a pensar e repensar. É o que se pode observar em Conspiração de Nuvens (Editora Rocco, 136 páginas, R$ 22), livro inédito de Lygia Fagundes Telles lançado recentemente, e que será sua principal novidade na Bienal do Livro do Rio, a partir do dia 13. São 19 histórias enxutas, que trazem ficções novas, reminiscências da infância, relatos de viagens, crônicas sobre a cidade de São Paulo e perfis de intelectuais brasileiros com quem conviveu. Algo como uma paleta de cores, em que os tons mais suaves são representados pelas lembranças de infância como em A Quermesse, enquanto os mais sombrios trazem recordações dos momentos de perda e opressão, como no conto que dá título ao livro. O amor pela escrita foi redentor. Depois que perdeu seu único filho, o cineasta Goffredo Telles Neto, a escritora viveu momentos de depressão. Eu estava muito triste, angustiada, sem interesse por objetos ou por pessoas, relembra. Tenho meus santos, mas a religião me era insuficiente, ao mesmo tempo em que me afastei dos amigos. Minha salvação foi escrever, foi a única coisa que me seduziu. Agora, o que torna esses novos contos tão especiais, porém, é a renovada busca da escritora que, a partir de suas personagens, encontrou respostas que dão sentido à vida, permitindo-lhe descobrir a melhor forma de novamente interagir com o mundo externo.
As crônicas são uma narrativa que se prendem a fatos do cotidiano, muitas vezes de modo humorístico, irônico ou até poético. Constantemente, faz reflexões ou críticas à realidade cotidiana (não se trata de pura reprodução dos fatos)
Define-se por um estado de ânimo dolorosamente incapacitante e, até, paralisante. Uma tristeza profunda e duradoura que surge a partir de avaliações pessimistas e parciais da realidade. Aqueles que sofrem deste mal demonstram um sentimento de inferioridade, uma autocensura excessiva, flutuação de humor e rejeição social, acarretando prejuízos nas suas relações interpessoais
O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.





