LITERATURA - Clássico reeditado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de junho de 2007
Carlos Marchi<br> Agência Estado 
O Brasil lerá, a partir de outubro, o texto de ''Cem Anos de Solidão'' com as modificações feitas por Gabriel García Márquez para a grandiosa edição lançada no mundo hispânico pela Real Academia Espanhola da Língua (à venda na Livraria Letraviva, www.letraviva.com.br). A Editora Record acaba de conseguir autorização da agente de García Márquez, Carmen Balcells, em Barcelona, para lançar o novo texto no Brasil, informa Sérgio Machado, dono da editora. O escritor Eric Nepomuceno está fazendo a nova tradução e o lançamento será em 21 de outubro, data dos 25 anos de concessão do Nobel de Literatura ao escritor.
A edição trará um prefácio assinado por Eric, que é grande amigo de Márquez, já fez vários trabalhos com ele e conviveu com o colombiano por muitos anos no México. Como grande novidade, a nova edição brasileira trará a árvore genealógica da família Buendía, um dos grandes sucessos da edição espanhola da Real Academia, lançada no Congresso de Língua Espanhola, há um mês, em Cartagena de Indias, pelo rei da Espanha, numa grande homenagem a Márquez.
A Record está negociando velozmente para obter os direitos de alguns dos artigos que enriqueceram a edição espanhola. O maior interesse é sobre o belíssimo texto do escritor mexicano Carlos Fuentes. O resumo do ensaio A História de um Deicídio, publicado na edição espanhola, está descartada pela Record, porque os direitos do livro de Mário Vargas Llosa pertencem a outra editora no Brasil.
Eric não se assusta com a tarefa grandiosa. Ele diz que tem uma dificuldade emocional para traduzir García Márquez, seu amigo há quase 40 anos. ''Tecnicamente é fácil. O fluxo da prosa é puro espanhol clássico. Ele recorre frequentemente a palavras do espanhol arcaico, que é muito parecido com o português arcaico'', diz ele. A possível dificuldade é com os regionalismos colombianos. Aí o que vai resolver é a proximidade com o autor.
O escritor não gosta de instruir tradutores. Ruy Guerra conta que, nos quatro filmes de suas obras, perguntou-lhe apenas uma vez o que significa determinada situação. Ele respondeu: ''Lo que quieras.'' Na tradução brasileira de ''Cem Anos de Solidão'', ele expressa claramente sua impaciência com as dúvidas da tradutora e, em certos momentos, deu a ela pistas equivocadas.
Faz isso apesar do seu conhecido preciosismo. Em 1982, levou 42 dias para finalizar o discurso de 15 páginas que faria depois de receber o Prêmio Nobel de Literatura. Adiante, disse que tinham sido as 15 páginas mais difíceis da sua vida.
''Cem Anos de Solidão'' chegou ao Brasil em 1968, quando a Editora Sabiá, que pertencia aos escritores Rubem Braga e Fernando Sabino, comprou os direitos do livro e lançou as primeiras edições. Em 1972, quando a Sabiá foi comprada pela Editora José Olympio, os direitos foram junto. Em nova transferência, os direitos passaram para a Record, que comprou a José Olympio em 1977 - há exatos 30 anos, portanto. Segundo cálculos não precisos, ''Cem Anos de Solidão'' já vendeu mais de 500 mil exemplares no Brasil. O livro está na 60 edição da tradução convencional feita, à época, pela tradutora Eliane Zagury.


