LITERATURA - Bosque, da agitação ao medo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
O bosque já foi do povo, dos macaquinhos, dos ônibus que circulavam por um dos principais cartões postais de Londrina mas, nos últimos anos, um outro morador dominou o espaço de lazer: o medo.
Um temor que não anda sozinho, sendo acompanhado da violência que levou o poder público a pensar que ao cercar o bosque, o problema seria resolvido.
''O bosque sofreu várias intervenções. Quando foi utilizado como terminal de ônibus, no espaço tinha a presença de lambe-lambe, um comércio informal que florescia. Mesmo tendo outra utilização, o lugar não deixava de ter sua primeira função, que era ser uma área de lazer. Aí cercaram com a intenção de se tornar um grande espaço de lazer, com um grande projeto de revitalização. O Bosque tem um entorno que também foi se deteriorando. O que ficou foi um espaço público vazio'', afirma a professora Ana Maria Chiarotti de Almeida, do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação - Mestrado em Ciências Sociais, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ana Maria lançou juntamente com a professora Sônia Maria Sperandio Lopes Adum, do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação - Mestrado em História, da UEL, o livro ''Memória e Cotidiano do Bosque'' (Editora da Universidade Estadual de Londrina - Eduel).
O Bosque Marechal Cândido Rondon, nome que, a maioria desconhece, foi uma área de lazer importante, onde os pioneiros realizavam as suas festividades, lugar escolhido para a primeira missa campal de Londrina.
O livro traz várias imagens do fotógrafo pioneiro, José Juliani, do acervo do Museu Histórico Padre Carlos Weiss, em que o bosque é cenário de manifestações políticas, como uma passeata em apoio ao ex-prefeito Willie Davids, em 1938, e até uma churrascada, em 1936.
''Memória e Cotidiano do Bosque'' foi produzido a partir do projeto de extensão Inventário e Proteção do Acervo Cultural de Londrina (IPAC), que desde 1986, realiza pesquisas na região. Nos últimos sete anos, os pesquisadores se concentraram nos espaços da cidade, que são utilizados pela população.
SERVIÇO:
- Livro ''Memória e Cotidiano do Bosque'' da Editora da Universidade Estadual de Londrina (EDUEL)
Quanto - R$ 25,00


