LITERATURA - Amir Labaki lança livro na Bienal
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de março de 2006
Luiz Carlos Merten<br> Agência Estado 
Em anos recentes, Amir Labaki consolidou a imagem de Sr. Documentário. O gênero já o interessava, mas desde que fundou o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, em 1995, ele não apenas aprofundou o conhecimento da matéria como transformou seu evento numa grande vitrine que reúne convidados do Brasil e do exterior e abriga (há seis anos) uma conferência internacional para tratar do assunto. Um novo É Tudo Verdade está para começar. O 11º Festival Internacional de Documentários ocorrerá de 23 de abril a 2 de maio em São Paulo e de 24 a 2, no Rio, com programações em Brasília e Campinas.
Há mais novidades de Amir Labaki. Há dois anos, o Instituto Moreira Salles lhe propôs a realização de um ciclo de palestras - sobre documentários, claro. Aceita a proposta, o evento saiu em 2005, sob a forma de um conjunto de cinco conferências historiando a evolução do documentário brasileiro. Foram reunidas num volume que, sob o título de ''Introdução ao Documentário Brasileiro'' (editora Francis, 128 pgs., R$ 16,50), terá tarde de autógrafos hoje na Bienal do Livro. Cinéfilo que se preze sabe da importância que o documentário adquiriu nos últimos anos. Houve um boom nacional e internacional. Saber um pouco mais sobre as origens do documentário no País vem bem. Labaki foi às fontes de consultas, viu numerosos filmes. Descobriu preciosidades que datam da época do cinema mudo, mas não tem dúvidas em afirmar: o marco da (r)evolução do documentário brasileiro é ''Aruanda'', de Linduarte Noronha, no alvorecer do Cinema Novo. É quando também começa a surgir uma reflexão sobre a cultura do documentário no Brasil, com textos de Jean-Claude Bernardet e Glauber Rocha.
Informação, discussão, reflexão. Tudo isso você encontra no livro de Amir Labaki e no evento que ele promove. O 11º É Tudo Verdade ainda nem começou e já comemora um recorde de inscrições - foram quase mil inscritos (956), sendo 568 produções internacionais, de 81 países, e os restantes 388 do Brasil. Face a uma oferta tão grande, o desafio de Labaki é ser rigoroso na seleção, impedindo que o festival cresça demais.
As mostras têm de ficar em torno de cem filmes, divididos entre a competição brasileira de curtas, médias e longas, a internacional de longas (da qual participa o vencedor da etapa nacional), mais as retrospectivas e as seções informativas Horizonte, Foco Latino e O Estado das Coisas.
Serviço:
- Introdução ao Documentário Brasileiro. De Amir Labaki. Editora Francis. 128 páginas. R$ 16,50.


