''A simplicidade não é um fim na arte, mas o artista só alcança a simplicidade próximo à realidade das coisas.'' Com essa citação, Beatriz Rocha Lagoa abre seu ensaio sobre as esculturas de Constantin Brancusi, nascido na Romênia, em 1876, que com sua grande capacidade de síntese até hoje emociona os admiradores da arte de esculpir. E o que há em comum entre as artes plásticas e a arte de escrever poemas? Mais do que se possa imaginar se o leitor tiver a oportunidade de adentrar às páginas da revista ''Poesia Sempre'', publicação trimestral da Biblioteca Nacional (ano 13, número 22, janeiro-março 2006). Em uma edição primorosa, a revista já de cara brinda os privilegiados leitores que tiverem acesso a ela a tiragem é de dois mil exemplares é dirigida às bibliotecas do país com um belo ensaio sobre a poesia popular e a poesia culta na Romênia, de autoria de Marco Cugno.
®MDNM¯ Os bons ventos não param por aí. Na seção de poesia inédita, com 30 poetas brasileiros, cujos trabalhos refletem o panorama atual da poesia em nosso país, destacam três poetas londrinenses que tiveram seus poemas selecionados para a publicação: a jornalista Célia Musilli, o dramaturgo Maurício Arruda Mendonça e o artista plástico Rubens Pileggi Sá. Outro londrinense que também ganhou espaço nobre na publicação é o poeta Rodrigo Garcia Lopes, que integra ensaio da mineira Maria Esther Maciel, referindo-se ao livro ''Nômada'', indicado para o Prêmio Jabuti.
®MDNM¯ O artista plástico e colaborador da Folha2, Rubens Pileggi Sá, por telefone, disse que ainda não havia tido o prazer de ''saborear'' a edição bem caprichada que trouxe dois poemas de sua autoria ''O fantasma do poeta'' e ''Uma poça na bota: espelho estilhaçado''. De forma breve, ressaltou que os poemas selecionados falam de situações que acontecem na vida ''além da vontade própria, ao acaso, independente'' ''e isso é possível pelo menos quando se trata de poesia'', brincou.
O dramaturgo e poeta Maurício Arruda Mendonça contou que o convite para participar do livro partiu da própria publicação. Editor da revista trimestral Coyote, Mendonça detalhou que ''Poesia Sempre'' tem um caráter de antologia, de canonização do texto, diferente da revista que edita. ''A Coyote é uma revista de 'criação', que também traz bons textos de autores inéditos'', disse.
Sobre o mercado consumidor de poesia, que às vezes parece escasso, Mendonça defendeu que a ''poesia é um grande campo de experimentação, que continua interferindo na realidade'' e não deixou de criticar o âmbito educacional. ''Venho do tempo em que no colégio se lia Vinicius de Moraes, Drummond, por exemplo, nas aulas de português. E essa questão de mercado passa pela formação escolar. É preciso redescobrir novas formas de sensibilizar textos que fujam do lugar-comum. Hoje há uma 'massificação do sentir', contribuído principalmente pela mídia televisiva. Falta espaço para se discutir poesia e teatro até no jornal impresso, o que não era raro nos anos 60'', desabafou. Mendonça participa de ''Poesia Sempre'' com os poemas ''Lesando a vida'' e ''Essa alma não é minha''.
Com amor e erotismo, de forma até sutil, também chega aos leitores da publicação o poema ''Mitologia'', da jornalista Célia Musilli, editora do Caderno Folha2, da Folha de Londrina. Abusando de referências mitológicas, Célia vai adentrando os arquétipos que povoam o inconsciente coletivo e é difícil não se render às palavras tão bem colocadas. Além de estar presente em ''Poesia Sempre'', o poema já pôde ser conferido na revista Coyote. Atualmente o ''livro de poesias'' da jornalista é o blog http://sensivelldesafio.zip.net, mas faz parte dos seus planos, ''ainda em gestação'' como prefere afirmar lançar até o final deste ano um livro de poemas que irá se chamar ''Sensível Desafio''.
Célia relembra que a prática de escrever poemas veio desde os 17 ou 18 anos, e que depois de uma longa fase de ''hibernação'' desta forma de expressão, a gaveta da memória resolveu se abrir. ''O poeta, enquanto fala consigo mesmo, fala com os outros, interage com a vida. E seus interlocutores podem ser as pessoas, ou um gato, um inseto, uma folha seca...Os traços da minha poesia são a sensualidade feminina e um certo simbolismo. Sempre digo que quem gosta de realismo talvez não goste da minha poesia que, assumidamente, 'é de mulherzinha'. Delicada, sutil e erótica, é o que dizem, e ponto final'', pondera a autora.

Serviço:
- A revista ''Poesia Sempre'' está sempre aberta a novas participações e os interessados podem enviar os poemas pelo endereço eletrônico [email protected] ou enviar via correio para o seguinte endereço: Rua da Imprensa, 16 11º andar Palácio Capanema 20030-120 Rio de Janeiro RJ. Outras informações pelos telefones (21) 2220-1994 e 2220-1987. A publicação pode ser adquirida por R$ 20,00 na livraria da Biblioteca Nacional.

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