LIT encena hoje ''Húmulos, o mudo''
LIT encena hoje Húmulos, o mudo Jackeline Seglin Enviada ao Rio de Janeiro Um grupo de atores do Rio de Janeiro estréia hoje no 9º Festival de Teatro de Curitiba, levando ao palco uma crítica à falta de comunicação entre os seres humanos. O espetáculo Húmulos, o mudo será encenado pelo LIT Laboratório de Investigação Teatral no auditório 2 do Canal da Música, em dois horários: às 18 horas e à meia-noite. Com uma história que transita entre o sonho e a realidade, o espetáculo mostra o universo de um garoto que consegue falar uma única palavra por dia. E, por imposição, Húmulos deve pronunciar a palavra apenas diante de uma duquesa. Mas até onde esse personagem deseja falar? O texto original de quatro páginas, escrito pelos franceses Jean Anouilh e Jean Aureuche, serviu de base para o diretor Angelo Turcci trabalhar com seis atores do LIT uma montagem de 60 minutos, que segue o percurso do grupo rumo a uma estética própria. A corte em que vive Húmulos é um misto de superficialidade e valores distorcidos pelo poder e a família. Em um certo momento de sua vida, o menino acaba contrariando esse poder: passa 30 dias sem falar para fazer uma declaração de amor a uma menina por quem se apaixonou. Na sua ingenuidade, sofre muito. A garota, seu objeto de desejo, usa da mesma arma para não ouvir o que ele tem a dizer: finge ser surda. No palco, o espetáculo começa quando os atores assumem o papel do narrador, saindo da história para contar uma lembrança da infância. O intuito é resgatar na platéia o seu íntimo, na tentativa de fazê-la entrar no espetáculo, comenta Turcci. O trabalho do Laboratório de Investigação Teatral começou em 1993, com estudantes de teatro da UniRio. O primeiro desafio foi montar Romeu e Julieta, de Shakespeare, numa versão para crianças. Mantendo o caráter trágico do texto, fizemos uma analogia com o folclore popular, conta o diretor. Na montagem seguinte, Os Contadores (baseada em fábulas de La Fontaine), o grupo iniciou um processo de pesquisa chamado o ator-narrador, estendido também para Húmulos. A base desse trabalho é o que o LIT chama de consciência corporal. Esta nova peça é um estágio interessante do processo, que já pode ser mostrado ao público. As pessoas é que vão verificar se a comunicação começa a se estabelecer. Esse talvez seja o grande pilar da nossa pesquisa.





