Lirismo espanhol
Cristina R. Durán
Agência Estado
A soprano espanhola Montserrat Caballé apresenta-se hoje em São Paulo, em espetáculo único no Teatro Municipal. Uma das cantoras líricas mais celebradas do mundo, aqui ela encerrará sua turnê brasileira, depois de passar por Belo Horizonte, Rio e Salvador. Conduzida pelo maestro espanhol Jose Callado, Montserrat será acompanhada pela Orquestra Sinfônica da Bahia e pelo pianista Manuel Brugueras, com quem apresenta-se regularmente desde 1991.
No Municipal de São Paulo, Caballé apresenta um programa variado: E Mai, Pietoso Cielo, de Gaetano Donizetti; Interlúdio Del Sultanato e Amuratte Io Son LUmile Ancella, de Francesco Cilea; Il Est Doux, Il Est Bon, de Jules Massenet; Canzone del Salice Ave Maria, de Giuseppe Verdi; Mi Tio se Figura, de R. Chapí; La Tarántula e Un Bicho mú Malo, de J. Giménez, e Canción de Paloma, de F. A. Barbieri.
É o mesmo programa que ela apresentou recentemente em Londres, Roma, Viena e Paris. Fui convidada a vir ao Brasil durante os concertos que fiz em Portugal; pediram que eu não mudasse o repertório, esclareceu Montserrat em recente entrevista. Fico muito preocupada em oferecer um bom e variado espetáculo a um público tão carinhoso, confessou ela. Montserrat referia-se à platéia brasileira, que a conhece desde o início de sua carreira, nos anos 60.
Nascida em Barcelona há 66 anos, a soprano dedica-se à ópera há 43. Montserrat iniciou sua carreira internacional em Nova York, no Carnegie Hall, ao ser chamada às pressas para substituir uma colega no papel de Lucrécia Bórgia. Ao terminar, foi ovacionada durante 20 minutos por um seleto e exigente público. Desde então, Montserrat Caballé cantou praticamente todos os grandes papéis de repertório operístico. Destaque para o de Norma, que lhe valeu o rótulo de sucessora de Maria Callas (1923-1977), criadora da célebre personagem.
Callas chegou a presenteá-la com seus brincos, afirmando que era a única cantora lírica digna de usá-los coisa que ela nunca fez. O currículo de Montserrat conta com um repertório de pelo menos 90 heroínas líricas e uma discografia de mais de 80 álbuns metade de obras completas. Nos últimos dez anos, a diva da ópera vem investigando um repertório com personagens menos conhecidos e óperas menores ou esquecidas. Ao mesmo tempo, popularizou o gênero ao gravar um CD com o roqueiro Fred Mercury ex-vocalista do Queen, morto no início desta década e, depois, com Vangelis. Agora, Montserrat está empenhada em gravar um CD com obras de Haydn e com partituras inéditas de Ludwig van Beethoven que ela acaba de desencavar em Viena. A descoberta deve-se a outra paixão da soprano, fora dos palcos: a pesquisa em museus e bibliotecas de música de todo o mundo. Além dos inéditos do compositor alemão do século passado, recentemente Montserrat descobriu partituras desconhecidas de Chopin, em Paris.





