Expoente da chamada vanguarda paulistana, que renovou a música popular brasileira no início da década de 80, o cantor e compositor Arrigo Barnabé está de volta à cidade natal como convidado do 30º Festival de Música de Londrina.
Diferentemente de shows anteriores na cidade, dedicados ao repertório autoral, ele sobe hoje ao palco do bar Valentino para interpretar canções do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974). O espetáculo, batizado ''Caixa de Ódio'' (título de uma das músicas do artista), estreou há exatamente um ano em São Paulo.
Arrigo canta temas como ''Nervos de Aço'', ''Nunca'', ''Judiaria'', ''Vingança'', ''Quem há de dizer'' (c/ Alcides Gonçalves), ''Esses moços (Pobres moços)'', ''Se acaso você chegasse'' (c/ Felisberto Martins) e ''Castigo'' (c/ Alcides Gonçalves). Ele é acompanhado pelos músicos Paulo Braga (piano) e Sergio Espíndola (violão e baixolão).
O boêmio Lupicínio foi um dos grandes nomes da música popular brasileira na primeira metade do século passado. Em sua poética, tratava a dor amorosa pelo filtro do humor voltado para a ironia e o sarcasmo. De acordo com a crítica, Arrigo explora a riqueza dramática das letras com uma performance visceral. Confira entrevista com o músico:
Como surgiu a ideia de montar um show baseado na obra de Lupicínio Rodrigues?
Eu penso nisso desde que o Itamar Assumpção gravou o álbum ''Ataulfo Alves por Itamar Assumpção - Pra Sempre Agora''. Na época pensei: se eu fosse fazer um trabalho assim escolheria o Lupicínio.
Por que Lupicínio? O que mais o fascina na obra dele?
Bom, as canções dele estão impregnadas de paixão, pathos, e permitem um trabalho interpretativo muito adequado para quem faz performance. A sinceridade, fruto da experiência de vida que se evidencia nessas canções, sem filtros de gosto, permitindo que a angústia flua honestamente, é realmente fascinante.
Lupicínio deixou herdeiros artísticos? Quem são os cantores e compositores que levaram adiante seu estilo?
Bom, não sou um ''estudioso'', mas acho que ele influenciou muita gente mesmo! Agora, com certeza existem pessoas mais versadas nesse assunto e que poderiam responder melhor essa questão dos herdeiros dele.
Como é o show ''Caixa de Ódio''? Voce coloca um carimbo autoral no repertório do compositor gaúcho?
''Caixa de Ódio'' é totalmente performático e autoral, sem dúvida nenhuma. É engraçado como as canções ficaram com a minha cara. O Arthur Nestrovski, quando viu o show, comentou que Lupicínio era Clara Crocodilo antes de Clara Crocodilo existir.
O show estreou há exatamente um ano. Ele mudou muito de lá pra cá? Quem são os músicos que o acompanham no palco?
Graças a Deus mudou sim, e sempre está mudando, existe uma liberdade nesse trabalho. No palco estou com o Paulo Braga, que também está dando aulas no festival, de piano. O Paulo é um antigo colaborador, tem estado presente na minha vida musical de forma intensa. A novidade é o Sérgio Espíndola, irmão mais velho da Tetê Espíndola, e antigo amigo. Com o Sérgio, que é um ótimo cantor, foi feito o trabalho de levantar o espetáculo, com ele me corrigindo e ajudando nas melodias, quase como um professor. O Sérgio toca violão e baixo, e também canta.
Você pretende gravar CD, LP ou DVD a partir desse espetáculo?
Já gravamos um DVD na Casa de Francisca, em São Paulo, em abril/maio. Estou aguardando que ele fique pronto no 2º semestre.
Serviço
- Show Caixa de Ódio - Lupicínio Rodrigues por Arrigo Barnabé
Quando - Hoje, às 22h30
Onde - Bar Valentino (Av. Pref. Faria Lima, 486)
Quanto - R$ 15
Ponto de venda - Bilheteria do Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85)

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