O ator e diretor italiano Roberto Benigni já conseguiu encantar meio mundo com a comédia ‘‘A Vida É Bela’’, que finalmente estréia no Brasil. O filme, que no Paraná por enquanto entra em cartaz somente em Curitiba, abocanhou nada menos do que 30 prêmios em festivais internacionais, inclusive o do grande júri em Cannes, ano passado. Se existe algum filme estrangeiro com possibilidade real de embarreirar ‘‘Central do Brasil’’ a caminho do Oscar, caso seja indicado no próximo dia 9, é ‘‘A Vida É Bela’’. O filme de Benigni já arrecadou US$ 16 milhões só no mercado americano - custou a bagatela de US$ 5,5 milhões - contra US$ 1,3 milhão da bilheteria de ‘‘Central do Brasil’’ nos Estados Unidos.
Em ‘‘A Vida É Bela’’, Benigni esbanja seu humor pastelão para contar a história de um pai que tenta preservar o filho dos horrores do Holocausto. Fazer uma comédia que tem como pano de fundo o extermínio dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial foi uma inegável ousadia do diretor. Longe do realismo mostrado em filmes como ‘‘A Lista de Schindler’’, o campo de concentração de ‘‘A Vida É Bela’’ é como uma grande ópera bufa.
O próprio Benigni é o protagonista Guido, um judeu-italiano que trabalha como garçom, mas sonha em montar uma livraria. Ele se muda para a cidade de Arezzo, na região da Toscana, e se apaixona pela professora Dora, vivida por Nicoletta Braschi, a própria esposa de Benigni. Para conquistá-la, é capaz de tudo. Até se passar por um oficial fascista romano que vai à escola dela para falar sobre a superioridade da raça italiana - o filme se inicia em 1938, quando Mussolini dominava o país e estava formando uma aliança militar com Hitler. É hilariante ver Benigni de cuecas, com as perninhas magras de fora, ironizando a perfeição física e intelectual observável, segundo as teorias fascistas, até nos umbigos italianos.
A história dá um salto e Guido aparece casado com Dora e tem o filho Giosué, vivido por Giorgio Cantarini. Guido tenta proteger o filho da dura realidade do anti-semitismo. Até quando são todos mandados para um campo de concentração, Guido diz ao filho que estão num local para um grande jogo. O menino, que tem uns quatro anos, está naquela idade em que as crianças entendem o que se passa a volta delas mas ainda embarcam na fantasia. No tal jogo, as crianças teriam de se manter escondidas e não poderiam chorar por não terem lanche. O prêmio seria um tanque de verdade. É interessante ver as formas como Guido consegue mascarar com humor as atrocidades do campo de concentração. O humor de Benigni lembra o de Charles Chaplin: ingênuo, mas extremamente físico e emocionante.
•A Vida é Bela (La Vita ô Bella) - Direção de Roberto Benigni. Com Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Giorgio Cantarini e Giustino Durano. Italiano, 116 min, 1998.DivulgaçãoRoberto Benigni e Giorgio Cantarini, em cena de ‘‘A Vida É Bela’’Ana Lúcia do Vale
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